Três Lagoas, no interior de Mato Grosso do Sul, atravessa um surto de doenças respiratórias que levou à lotação total das unidades hospitalares do município. Segundo dados das direções de saúde locais, enfermarias e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) atingiram 100% de ocupação. Dos leitos preenchidos, 90% correspondem a pacientes internados por complicações respiratórias resultantes de gripes, bronquites, pneumonias e crises de asma.
A elevação repentina da demanda coincide com a chegada de temperaturas mais baixas e com o período de estiagem característico desta época do ano. Nessas condições, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais suscetível a quadros graves. A orientação das equipes médicas é procurar atendimento imediato diante de sinais como febre persistente, dificuldade para respirar ou cansaço excessivo, especialmente em pacientes com histórico de doenças pulmonares.
A pediatra alergista e imunologista Patrícia Matos aponta que circulam simultaneamente vários agentes infecciosos no município. De acordo com a especialista, rinovírus e adenovírus são os mais frequentes, porém o vírus influenza responde pela maior parcela de internações. A profissional atribui a alta de casos graves da gripe à baixa cobertura vacinal contra influenza, lembrando que a doença pode evoluir para pneumonia ou broncopneumonia quando não há imunização prévia.
Pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma e rinite, têm apresentado maior risco de descompensação. A inflamação das vias aéreas nesses pacientes provoca falta de ar, chiado no peito e tosse, sintomas que se intensificam quando a doença de base não está controlada. Patrícia Matos reforça que crises mal manejadas podem exigir suporte de oxigênio e internação prolongada, sobrecarregando ainda mais a rede hospitalar.
Fatores ambientais típicos do inverno também contribuem para o aumento dos atendimentos. Entre os principais gatilhos estão roupas de frio e cobertores guardados por longos períodos, que acumulam poeira e ácaros. Ao serem reutilizados sem higienização prévia, esses itens desencadeiam crises alérgicas e agravam condições respiratórias preexistentes. Tapetes introduzidos para aquecer o piso funcionam de forma semelhante, especialmente quando não são aspirados de maneira adequada.
Para reduzir a pressão sobre os serviços de saúde e atravessar os próximos meses com menor número de internações, profissionais listam algumas recomendações:
- Agendar consulta com alergista ou pneumologista para avaliar o controle de asma ou rinite.
- Respeitar o esquema de medicamentos prescritos, evitando a automedicação.
- Lavar e secar bem roupas de cama, mantas, cobertores e casacos antes de usá-los.
- Manter ambientes ventilados, livres de poeira, fumaça e odores fortes.
- Higienizar as mãos com frequência, priorizar alimentação equilibrada e reforçar a hidratação.
- Atualizar a carteira de vacinação, incluindo a dose anual contra influenza.
As autoridades municipais acompanham a evolução do surto e avaliam a necessidade de medidas adicionais caso o número de internados continue a crescer. Enquanto isso, a orientação é que a população busque assistência nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou nos postos de saúde ao primeiro sinal de agravamento dos sintomas, a fim de evitar que os casos evoluam para estágios que exijam internação hospitalar.









