Mato Grosso do Sul avança para se tornar um dos principais polos do agronegócio brasileiro, impulsionado pela expansão das lavouras de soja e milho, pela modernização da pecuária e pela diversificação industrial ligada à celulose. A avaliação é do empresário Osvaldo Piccinin, sócio-fundador da concessionária Aster e representante da John Deere no estado, que concedeu entrevista ao programa Agro é Massa, transmitido pela Rádio Massa FM em Campo Grande.
De acordo com Piccinin, o estado vive um processo de consolidação econômica sustentado por três eixos: aumento da produção agrícola, crescimento da indústria florestal e melhorias na infraestrutura logística. Ele observa que o uso intensivo de tecnologia no campo, aliado a investimentos públicos e privados, tornou possível elevar a produtividade e ampliar áreas cultivadas sem comprometer a competitividade.
Um dos marcos citados pelo empresário é a expansão da soja. Há cerca de 45 anos, a cultura ocupava entre 250 mil e 300 mil hectares em Mato Grosso do Sul; hoje, a área plantada se aproxima de 5 milhões de hectares. Esse avanço, segundo ele, reflete não apenas a incorporação de novas fronteiras agrícolas, mas também o aprimoramento genético das sementes, o que se traduz em maior rendimento por hectare.
A produção de milho acompanha a mesma tendência, contribuindo para o fortalecimento de cadeias integradas, como a de proteína animal. Na pecuária, práticas de melhoramento genético e manejo intensivo permitiram elevar ganhos de peso e reduzir o tempo de abate, fatores que ampliam a margem dos produtores e aumentam a oferta para os frigoríficos instalados na região.
Outro vetor de crescimento destacado por Piccinin é a indústria de celulose. Municípios como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo transformaram-se em polos estratégicos a partir da instalação de grandes fábricas, que alavancam emprego, renda e arrecadação tributária. A cadeia florestal, baseada no cultivo de eucalipto, gera demanda por máquinas, implementos e serviços especializados, reforçando o dinamismo econômico local.
No campo logístico, a expectativa recai sobre a rota bioceânica, corredor que pretende conectar Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina. A iniciativa é vista como alternativa para reduzir custos de transporte e ampliar o acesso da produção sul-mato-grossense aos mercados asiáticos. Para o empresário, a concretização do projeto pode acelerar a saída de grãos, carnes e celulose, diminuindo a dependência dos portos do Sudeste e do Sul.
Apesar do cenário positivo de longo prazo, o agronegócio enfrenta desafios conjunturais. Piccinin aponta a combinação de juros elevados, oscilações climáticas e retração nos preços das commodities como fatores que inibem novos investimentos. Ele observa que a venda de máquinas agrícolas caiu nos últimos anos, reflexo da postura cautelosa dos produtores diante de margens mais apertadas e custos de financiamento maiores.
Mesmo assim, o empresário mantém projeções otimistas. Para ele, os resultados mais fracos registrados recentemente fazem parte da natureza cíclica do setor, que tende a se recuperar conforme os preços internacionais se ajustem e as condições de crédito melhorem. A previsão é de que a demanda por tecnologia volte a crescer nos próximos ciclos, impulsionando novamente a aquisição de tratores, colheitadeiras e equipamentos de precisão.
Piccinin reforça que Mato Grosso do Sul reúne condições para sustentar uma trajetória de expansão: disponibilidade de terras, clima favorável, estrutura industrial em evolução e corredores logísticos em planejamento ou execução. Na avaliação dele, esses elementos consolidam o estado como destino atrativo para investidores nacionais e estrangeiros interessados em agricultura, pecuária e floresta plantada.
Com a continuidade dos investimentos em pesquisa, capacitação de mão de obra e infraestrutura, o setor produtivo local acredita ser possível aumentar a competitividade, atender à crescente demanda global por alimentos e fibras e, ao mesmo tempo, gerar desenvolvimento econômico regional. Nesse contexto, o empresário resume a perspectiva para o estado: o passado marcado pela pecuária extensiva deu lugar a um presente de inovação no campo, projetando um futuro de expansão sustentável para o agronegócio sul-mato-grossense.









