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Baixa cobertura vacinal contra gripe coincide com avanço de doenças respiratórias em Campo Grande

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande divulgou que apenas 30,7% do público prioritário recebeu a vacina contra a influenza até o momento. O índice, considerado abaixo da meta, preocupa as autoridades porque coincide com a chegada das primeiras frentes frias do ano e o consequente aumento da circulação de vírus respiratórios na capital sul-mato-grossense.

De janeiro até agora, o município registrou 753 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Entre essas ocorrências, 49 evoluíram para óbito. Quando observados apenas os casos confirmados para influenza, foram contabilizados 69 registros, dos quais 11 resultaram em morte. Esses números sinalizam maior pressão sobre o sistema de saúde local em um período que historicamente apresenta crescimento da demanda por atendimentos relacionados a problemas respiratórios.

O cenário é motivo de alerta para a Vigilância em Saúde, que projeta aumento na procura por serviços médicos nas próximas semanas. A expectativa se baseia no comportamento sazonal dos vírus e na previsão meteorológica de temperaturas mais baixas. Nesse contexto, a baixa taxa de imunização reforça o risco de agravamento de quadros clínicos, especialmente entre indivíduos mais suscetíveis.

Fazem parte do grupo prioritário para a vacinação contra a gripe idosos, crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde, professores, pessoas com comorbidades, indígenas, portadores de deficiência permanente, forças de segurança, caminhoneiros e população privada de liberdade, entre outros. Apesar de a vacina estar disponível de forma gratuita em todas as unidades básicas, a adesão desses segmentos permanece limitada.

A Sesau lembra que a imunização é considerada a medida mais eficaz para reduzir casos graves, internações e mortes ocasionadas pelo vírus influenza. Segundo a pasta, o imunizante ofertado na campanha protege contra as principais cepas em circulação neste ano, incluindo os subtipos A (H1N1 e H3N2) e B. A aplicação é segura, tem poucas contraindicações e pode ser realizada mesmo por pessoas que já tenham recebido outras vacinas, desde que respeitado o intervalo mínimo recomendado para cada caso.

Além da vacinação, o órgão municipal reforça orientações de prevenção não farmacológica. Entre as recomendações estão higienizar as mãos regularmente com água e sabão ou álcool em gel 70%, evitar aglomerações em ambientes fechados e utilizar máscara ao apresentar sintomas gripais. Também é indicado manter os espaços ventilados e cobrir nariz e boca com o antebraço ou lenço descartável ao tossir ou espirrar, descartando o material utilizado de forma apropriada.

Para facilitar o acesso à vacina, as unidades de saúde funcionam em horários estendidos em determinados dias da semana. A população pode consultar o calendário atualizado no site oficial da Secretaria ou por telefone nas próprias unidades. A Sesau informa ainda que, caso o estoque disponível seja ampliado pelo Ministério da Saúde, a previsão é abrir a campanha para o público em geral, medida que já ocorreu em anos anteriores quando sobraram doses.

Médicos que atuam na rede pública ressaltam que os sintomas iniciais de influenza se assemelham aos de outros vírus respiratórios, mas podem evoluir rapidamente para complicações como pneumonia, especialmente em idosos e portadores de doenças crônicas. Por essa razão, orientam que pessoas com sinais de agravamento — febre alta persistente, dificuldade para respirar ou dor no peito — procurem atendimento imediato para avaliação e início de tratamento adequado.

Dados da Sesau apontam tendência de aumento na circulação de vírus respiratórios também em crianças menores de cinco anos. Esse grupo responde por parcela expressiva dos atendimentos em prontos-socorros durante o outono e inverno. A pasta destaca que, além da vacina contra a gripe, pais e responsáveis devem manter o calendário vacinal infantil em dia para outras doenças que afetam o trato respiratório, como coqueluche e sarampo.

A Prefeitura de Campo Grande reforça campanhas de comunicação em rádios, redes sociais e unidades de saúde, buscando sensibilizar a população sobre a importância da cobertura vacinal. De acordo com o município, a meta estipulada segue a orientação federal de alcançar pelo menos 90% do público-alvo. Com a taxa atual em torno de um terço desse objetivo, as autoridades admitem que o desafio é estimular a procura pela imunização antes que a temporada de frio se intensifique.

Enquanto isso, profissionais da atenção básica continuam monitorando os indicadores de SRAG e influenza para ajustar estratégias de atendimento e prevenção. A Sesau mantém sistema de notificação que permite identificar rapidamente surtos em instituições de longa permanência, escolas e outros locais de maior concentração de pessoas. Caso haja elevação significativa dos números, o plano de contingência prevê ampliação de leitos e realocação de equipes para unidades de maior demanda.

Ao destacar que a vacina contra a gripe está disponível gratuitamente nas unidades de saúde, a Secretaria Municipal de Saúde insiste que a adesão dos grupos prioritários pode reduzir pressão sobre hospitais e salvar vidas. Enquanto a meta de cobertura não é alcançada, o órgão reforça que a combinação de imunização e medidas preventivas individuais segue como principal estratégia para conter o avanço das doenças respiratórias em Campo Grande.

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