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Colheita da soja encerra em Mato Grosso do Sul com alta de 26% e milho mantém bom desenvolvimento

A safra 2023/2024 de soja em Mato Grosso do Sul foi oficialmente encerrada em 8 de maio, com produtividade média revisada para 61,73 sacas por hectare. O resultado, aferido pelo Projeto SIGA-MS, representa aumento de 26,3% em comparação ao ciclo anterior e garante produção estimada em 17,759 milhões de toneladas, cultivadas em 4,794 milhões de hectares.

De acordo com o levantamento, 19,5% da área total foi amostrada para consolidação dos números. A colheita começou duas semanas depois do calendário registrado na temporada passada e se prolongou por 16 semanas, processo influenciado por variações climáticas ao longo do ciclo.

O desempenho não foi uniforme entre as diferentes regiões. Períodos sem chuva superiores a 20 dias comprometeram 640 mil hectares, sobretudo no sul do Estado. Municípios como Dourados, Maracaju, Ponta Porã e Amambai constataram perda de rendimento em virtude dos veranicos de janeiro e fevereiro.

Em sentido oposto, áreas do norte e nordeste sustentaram índices elevados de produtividade e puxaram a média estadual para cima. Alcinópolis alcançou 85,06 sacas por hectare, Costa Rica registrou 78,73 sacas e Chapadão do Sul atingiu 76,75 sacas por hectare. O levantamento ainda passa por validações finais para consolidação do estudo de Uso e Ocupação do Solo, segundo a equipe técnica responsável.

Enquanto a soja deixa o campo, o milho segunda safra apresenta quadro considerado favorável na maior parte de Mato Grosso do Sul. O plantio, já concluído, ocupou 2,206 milhões de hectares. A produtividade média projetada é de 84,2 sacas por hectare, o que poderá resultar em 11,139 milhões de toneladas, se as atuais condições climáticas forem mantidas.

As regiões norte, nordeste e oeste concentram o maior percentual de lavouras classificadas como boas, variando de 82,9% a 92,1%. No centro e na faixa sul-fronteira, a proporção de áreas em condição satisfatória oscila entre 57,9% e 62,3%. O assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, destaca que o desempenho final do cereal permanece dependente do clima, com atenção redobrada para possíveis estiagens prolongadas e ocorrência de geadas.

No mercado interno, a saca de 60 quilos da soja é negociada em média a R$ 109,17 no estado. Para o milho, a cotação média gira em torno de R$ 50,13. Esses valores refletem o cenário atual de oferta, demanda e expectativas climáticas, fatores monitorados por produtores e agentes de comercialização.

A previsão meteorológica indica a aproximação de uma frente fria de origem oceânica, que deve aumentar a nebulosidade e provocar pancadas de chuva acompanhadas de raios e rajadas de vento. Os fenômenos estão previstos principalmente para as regiões centro-sul, sul, sudoeste, oeste e norte, podendo influenciar o desenvolvimento das lavouras de milho nas próximas semanas.

Com a conclusão da colheita da soja, técnicos do SIGA-MS concentram esforços na compilação definitiva dos dados para fechamento oficial da temporada. Os resultados servirão de base para planejamento de manejo, análise de mercado e definição de estratégias de sustentabilidade na próxima safra.

O monitoramento permanente do clima permanece como variável determinante tanto para consolidar a projeção otimista do milho quanto para orientar decisões de venda e armazenagem já no curto prazo. Além disso, o levantamento final deverá indicar, de forma detalhada, o impacto regional das adversidades meteorológicas observadas no primeiro bimestre e suas consequências econômicas para o setor produtivo sul-mato-grossense.

Ao mesmo tempo, a disponibilidade de dados atualizados auxilia cooperativas, indústrias e instituições financeiras na avaliação de riscos e oportunidades, reforçando a importância de informações técnicas confiáveis para todo o segmento do agronegócio estadual.

Até a divulgação do relatório consolidado, produtores acompanham a evolução das lavouras de milho e mantêm expectativa de que as chuvas previstas assegurem o potencial produtivo projetado, garantindo abastecimento interno e competitividade nas exportações do grão.