Três Lagoas manteve a primeira posição no ranking de exportações de Mato Grosso do Sul entre janeiro e abril de 2026, com vendas externas que totalizaram US$ 645,4 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 3,24 bilhões pela cotação média do dólar em abril (R$ 5,03). Os dados fazem parte da Carta de Conjuntura do Setor Externo divulgada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
Apesar da liderança, o montante exportado pelo município apresentou retração de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcados US$ 764,7 milhões, o que correspondia a cerca de R$ 4,41 bilhões na cotação média daquele quadrimestre. Mesmo com a queda, Três Lagoas respondeu por 17,84% de toda a pauta exportadora sul-mato-grossense nos quatro primeiros meses de 2026.
Ribas do Rio Pardo ocupou a segunda colocação estadual, com participação de 11,62% no total exportado, seguido por Dourados (10,65%) e Campo Grande (7,59%). Enquanto Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo registraram redução nos valores vendidos ao exterior, Dourados e Campo Grande ampliaram suas receitas em 25,41% e 27,79%, respectivamente, na comparação com o primeiro quadrimestre de 2025.
O predomínio de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo reflete o peso da cadeia de celulose na economia estadual. Entre os principais produtos embarcados por Mato Grosso do Sul no período analisado, a soja liderou com participação de 32,01%, seguida pela celulose, com 26,02%, e pela carne bovina, que respondeu por 19,02% dos valores enviados a outros países.
No acumulado de janeiro a abril, as exportações estaduais alcançaram US$ 3,61 bilhões, incremento de 6,26% ante os US$ 3,40 bilhões anotados no mesmo intervalo do ano anterior. Considerando a cotação média de abril, o montante corresponde a cerca de R$ 18,2 bilhões em 2026.
De acordo com a Semadesc, o desempenho sul-mato-grossense continua sendo impulsionado principalmente pela indústria de transformação e pelo agronegócio. A indústria de transformação registrou variação positiva de 1,15% nos preços e de 0,68% no volume exportado. Na agropecuária, houve avanço de 28,59% nos preços e de 25,16% na quantidade embarcada.
Pelo recorte municipal, o relatório aponta que Três Lagoas permaneceu na liderança mesmo com recuo nos embarques, indicando que o setor de celulose sustenta parcela expressiva da receita externa do município. Em sentido oposto, o crescimento observado em Dourados e Campo Grande foi atribuído ao aumento das vendas de soja e de produtos industrializados derivados do agronegócio.
O documento da Semadesc também detalha os principais destinos das mercadorias sul-mato-grossenses. A China manteve a posição de maior compradora, absorvendo 48,29% das exportações do estado. Estados Unidos e Países Baixos aparecem na sequência entre os principais mercados, reforçando a diversificação geográfica da pauta comercial de Mato Grosso do Sul.
Entre os produtos industrializados, a celulose segue como principal item de exportação de Três Lagoas, sustentando a liderança do município no cenário estadual. O segmento celulósico tem peso significativo na balança comercial local devido à presença de grandes plantas industriais instaladas na região, que concentram boa parte da capacidade produtiva do estado.
Com o resultado do primeiro quadrimestre de 2026, Mato Grosso do Sul consolida trajetória de crescimento nas receitas externas, ainda que com variações entre municípios e setores. A Carta de Conjuntura do Setor Externo deverá ser atualizada nos próximos meses para incorporar os dados do segundo trimestre e verificar a continuidade das tendências observadas até abril.








