A Petrobras iniciou a etapa final de contratação das empresas que irão concluir a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), em Três Lagoas (MS). O processo ganhou impulso após o Conselho de Administração da estatal aprovar, em 13 de abril deste ano, o investimento definitivo para a retomada do projeto, paralisado desde 2014.
A companhia informou que pretende assinar os principais contratos até o fim do primeiro semestre de 2026. Somente depois dessa formalização as obras serão efetivamente reiniciadas. Segundo a estatal, a data exata para o retorno dos serviços de campo ainda será definida e comunicada oportunamente. Também não há confirmação sobre a realização de cerimônia oficial de assinatura ou de ordem de serviço no município.
O avanço na contratação marca um passo decisivo para destravar um empreendimento interrompido há mais de uma década. Iniciada em 2011, a construção da UFN-3 chegou a 80% de execução antes de ser suspensa, deixando estruturas metálicas, tanques e equipamentos sem uso. A retomada promete mobilizar milhares de trabalhadores durante as fases de conclusão civil, montagem eletromecânica, comissionamento e, posteriormente, operação industrial.
Quando entrar em funcionamento, a unidade terá capacidade para produzir ureia e amônia, insumos fundamentais na formulação de fertilizantes nitrogenados. A expectativa é reduzir a dependência do país das importações desses produtos, fortalecendo a cadeia agrícola e a segurança de abastecimento interno em um período marcado por alta volatilidade nos preços internacionais.
Impacto financeiro já aparece nos resultados da companhia
No balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26), a Petrobras citou a UFN-3 como um dos fatores que contribuíram para a melhora do resultado operacional em relação ao quarto trimestre de 2025 (4T25). O documento apontou aumento do lucro bruto e redução das despesas operacionais devido à reversão parcial de impairment relacionada ao ativo da fábrica de fertilizantes.
Essa reversão representa, na prática, a recuperação contábil de parte do valor que havia sido considerado perdido no empreendimento. Ao reconhecer novamente esse montante em seus demonstrativos, a estatal diminuiu despesas e reforçou o desempenho financeiro do período. A sinalização positiva nos números contábeis reforça a decisão de avançar com a conclusão da planta.
Próximos passos do cronograma
Com o investimento aprovado e o processo licitatório em fase final, a Petrobras conduz negociações para selecionar construtoras, fornecedores de equipamentos remanescentes e empresas de serviços especializados. A estatal prevê que a assinatura dos contratos de engenharia, suprimentos e construção (EPC) ocorra até junho de 2026.
Após a assinatura, as frentes de trabalho deverão ser mobilizadas gradualmente. O cronograma executivo incluirá inspeção das estruturas entregues em 2014, atualização de projetos, aquisição de materiais adicionais e integração de sistemas de segurança, automação e utilidades. A empresa não divulgou estimativa oficial de conclusão, mas estudos internos apontam que a fase final poderá levar cerca de dois anos.
Importância regional e geração de empregos
Localizada às margens da BR-262, a UFN-3 é considerada estratégica para a economia de Três Lagoas e para o setor de fertilizantes do país. Durante o pico das obras, o canteiro deverá empregar milhares de profissionais de diferentes segmentos, entre engenheiros, técnicos, montadores, soldadores e operadores de equipamentos. Na fase operacional, a fábrica deve manter centenas de postos de trabalho permanentes, gerando renda e movimentando a cadeia de bens e serviços locais.
Autoridades municipais e representantes do setor produtivo acompanham o andamento do projeto. A retomada é vista como oportunidade para ampliar a arrecadação de impostos, atrair novos investimentos e consolidar o município como polo industrial, somando-se às fábricas de celulose já instaladas na região.
Contexto do mercado de fertilizantes
O Brasil figura entre os maiores consumidores de fertilizantes do mundo e depende de importação para suprir a maior parte da demanda interna, sobretudo em produtos nitrogenados. A guerra na Ucrânia, variações cambiais e restrições logísticas reforçaram, nos últimos anos, a necessidade de ampliar a produção nacional. Nesse cenário, a conclusão da UFN-3 é vista como passo relevante para reduzir vulnerabilidades e garantir maior autonomia ao agronegócio.
Embora ainda faltem definições sobre prazos exatos e detalhes operacionais, a Petrobras reforçou que mantém a retomada da UFN-3 como prioridade em seu plano estratégico. A estatal reiterou que divulgará novas informações assim que as contratações forem formalizadas e os cronogramas revisados estiverem consolidados.
Por ora, o foco da companhia permanece na conclusão das negociações contratuais e na preparação do canteiro para receber novamente equipes de construção. O progresso dessas etapas determinará a velocidade com que a unidade poderá entrar em operação e contribuir para a produção nacional de ureia e amônia.








