A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) cumpriu, na sexta-feira, 15 de setembro, a segunda fase da operação que apura a morte de Guilherme Carlos Canozi, 29 anos, assassinado em março deste ano na região da cachoeira do Inferninho, zona rural de Campo Grande (MS). A nova etapa resultou na prisão temporária de dois homens, de 50 e 38 anos, apontados como responsáveis por levar a vítima até o local onde foi executada. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
O crime veio à tona em 22 de março, quando praticantes de rapel encontraram o corpo de Canozi na área da cachoeira, já com sinais de violência. A partir desse achado, a DHPP iniciou diligências que permitiram traçar a logística do homicídio e identificar pessoas envolvidas em diferentes etapas do planejamento e da execução.
Nas fases preliminares, os investigadores descobriram que a vítima teria permanecido em cárcere privado antes de ser levada ao Inferninho. Segundo a polícia, dois suspeitos já detidos anteriormente teriam cedido a infraestrutura para o crime: um deles seria o proprietário do veículo utilizado no transporte de Canozi, enquanto o outro teria disponibilizado a residência onde o jovem foi mantido sob vigilância.
A primeira fase da operação ocorreu em 4 de maio e culminou na prisão temporária de dois homens, de 45 e 22 anos. Ambos seguem recolhidos, à disposição da Justiça, enquanto o inquérito avança para esclarecer a participação de cada envolvido. Esses primeiros detidos são considerados peças-chave para compreender como foi planejada a abordagem da vítima, bem como os motivos que resultaram no cárcere e, posteriormente, na execução.
Com o aprofundamento das investigações, a equipe da DHPP identificou outros três suspeitos de atuação direta na condução de Canozi até a cachoeira. Na sexta-feira, foram capturados o homem de 50 anos e o de 38, cujos nomes não foram divulgados. O terceiro integrante desse grupo já foi formalmente identificado, porém permanece foragido. A Polícia Civil informou que diligências continuam para localizá-lo e cumprir o mandado de prisão expedido pela Justiça.
Durante os cumprimentos de busca e apreensão, agentes recolheram documentos, aparelhos eletrônicos e eventuais objetos que possam agregar provas à investigação. O material será periciado para verificar vínculos entre os novos presos, os detidos na primeira fase e possíveis mandantes ou coautores ainda não formalmente apontados.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, as apurações concentram-se agora em três frentes: a captura do suspeito foragido, a identificação de eventuais mandantes e a reconstrução detalhada da sequência de eventos que ligou o cárcere privado ao homicídio consumado. A polícia busca esclarecer, por exemplo, qual foi o papel exato de cada investigado, quais meios foram empregados para submeter a vítima e qual a motivação que levou ao desfecho violento.
A DHPP reforçou que, além das prisões temporárias, não descarta solicitar futuras medidas judiciais, como quebras de sigilo ou novas ordens de busca, caso surjam indícios que justifiquem aprofundar linhas específicas de apuração. Informações que auxiliem na localização do investigado que permanece em liberdade podem ser repassadas de forma anônima ao Disque-Denúncia da Polícia Civil.
Até o momento, não foi divulgado se houve ligação de Canozi com os suspeitos ou se foram identificadas disputas pessoais, financeiras ou relacionadas a organizações criminosas. A corporação ressalta que, embora existam hipóteses em análise, qualquer motivação só será confirmada após conclusão do inquérito e eventual denúncia do Ministério Público.
A operação prossegue sem previsão de encerramento. A Polícia Civil afirma que seguirá trabalhando para esclarecer o homicídio, reunir provas robustas contra todos os envolvidos e garantir que os responsáveis sejam encaminhados ao Judiciário. Novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das investigações e as autorizações legais para publicidade dos atos.








