Um homem de 50 anos, condenado por envolvimento no latrocínio do médico anestesista Herberto Calado Rebelo, foi capturado na manhã desta terça-feira (19) em um flat situado no Bairro Santa Fé, região norte de Campo Grande. A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras) com apoio da Delegacia Especializada de Capturas (Polinter), ambas da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
De acordo com informações repassadas pelas equipes envolvidas, o trabalho de inteligência que levou à prisão começou após a confirmação de que o condenado havia se instalado no imóvel alugado há poucos dias. Investigadores monitoraram discretamente a movimentação no prédio até a manhã de hoje, quando, por volta de 9h30, decidiram cumprir a ordem judicial de recaptura.
Segundo a polícia, a abordagem ocorreu de forma rápida e sem resistência. Os policiais civis se identificaram, informaram ao alvo sobre o mandado pendente e fizeram a detenção ainda no interior do apartamento. Na sequência, o detido foi escoltado até a sede do Garras, onde passou pelos procedimentos de praxe, incluindo checagem de dados, comunicação formal ao Poder Judiciário e elaboração do auto de recaptura.
O foragido cumpria pena de 20 anos de reclusão pelo latrocínio registrado em março de 2001. Na ocasião, o médico Herberto Calado Rebelo foi morto durante uma ação criminosa cujo objetivo principal era a subtração de uma caminhonete GM/S10. Conforme apurado à época, o veículo seria transportado ao Paraguai para posterior revenda no mercado ilegal. A participação do agora preso consistiu no planejamento logístico e no apoio à fuga dos executores.
Após cumprir parte da sentença, o condenado recebeu benefício de progressão, mas descumpriu as condições impostas pela Justiça e passou à condição de evadido. Com a nova detenção, foi constatado que ele ainda tem 6 anos, 5 meses e 23 dias a cumprir em regime fechado. O cálculo considera o saldo remanescente da pena original, descontados os períodos já executados em unidades prisionais do Estado.
Os investigadores ressaltam que, além do mandado de recaptura, não havia outros processos pendentes em nome do suspeito. Ainda assim, todo o material encontrado no apartamento – documentos pessoais, aparelhos eletrônicos e anotações – será analisado para verificar se existem indícios de novos crimes ou ligações com organizações especializadas em roubo de veículos.
Depois da formalização dos trâmites na delegacia, o homem permanecerá custodiado na carceragem do Garras até a audiência de custódia, que deverá ocorrer nas próximas 24 horas. Na sessão, o juiz responsável avaliará a legalidade da prisão e definirá a unidade prisional para onde o detento será transferido. A defesa poderá se manifestar, mas o cumprimento do restante da pena em regime fechado é a medida prevista pelo mandado em vigor.
A prisão reforça a estratégia das delegacias especializadas de intensificar a busca por condenados foragidos, sobretudo aqueles envolvidos em crimes contra a vida e patrimoniais de grande repercussão. De acordo com as autoridades, o compartilhamento de informações entre Garras, Polinter e outras unidades da Polícia Civil tem permitido localizar alvos que se escondem em imóveis de alto padrão, muitas vezes utilizando nomes falsos ou empresas de fachada para burlar sistemas de controle.
No caso específico de hoje, a polícia apurou que o suspeito se apresentava como consultor de empresas e mantinha uma rotina discreta, saindo do flat em horários alternados e limitando contato com vizinhos. A identificação só foi possível após cruzamento de dados obtidos em diligências recentes, que apontaram a movimentação dele em regiões próximas a concessionárias e agências de transporte.
As informações sobre o paradeiro do preso foram encaminhadas ao Ministério Público e ao juízo da Vara de Execuções Penais, responsáveis pela supervisão do processo. Caso se verifique algum novo ilícito, ele poderá responder por crime adicional, além do cumprimento da pena restante pelo latrocínio de 2001. Até o momento, não há registro de novos mandados em aberto.
Com a recaptura, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul cumpre mais um mandado de prisão previsto na lista de foragidos monitorados pelas delegacias especializadas. O trabalho deve prosseguir nas próximas semanas, com foco em crimes antigos que ainda aguardam a execução completa das sentenças.








