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Dores de cabeça recorrentes exigem investigação médica, orienta neurocirurgião em Três Lagoas

O aumento da frequência ou da intensidade da dor de cabeça deve ser considerado um sinal de advertência, alerta o neurocirurgião Daniel Rodrigues de Oliveira. Em participação no quadro “A Casa é Sua”, exibido na manhã de terça-feira (19) no programa TVC Agora, da TVC HD (Canal 13.1), o especialista destacou que a cefaleia figura entre as queixas mais relatadas em consultórios e interfere diretamente na qualidade de vida de grande parte da população brasileira.

Segundo o médico, embora seja comum, a dor não deve ser encarada como algo natural do cotidiano. “Toda dor possui causa e origem”, afirmou ao ressaltar a necessidade de avaliação clínica se o incômodo começar a comprometer atividades diárias, reduzir a produtividade ou levar a ausências no trabalho.

Enxaqueca é hereditária e pede abordagem dupla

Oliveira explicou que a enxaqueca, um subtipo específico de cefaleia, tem caráter genético e hereditário. O manejo do problema ocorre em duas frentes: prevenção — voltada a reduzir a quantidade de crises — e tratamento de resgate, aplicado no momento em que a dor se instala. De acordo com o neurocirurgião, a adoção de rotinas saudáveis é parte essencial da estratégia preventiva, uma vez que diversos fatores externos funcionam como gatilhos para novos episódios.

Principais fatores desencadeantes

Entre os estímulos que mais frequentemente provocam crises de enxaqueca, o especialista listou:

  • jejum prolongado;
  • estresse ou nervosismo;
  • noites mal dormidas;
  • exposição excessiva ao sol;
  • uso prolongado de telas eletrônicas;
  • consumo de certos alimentos, como chocolate, queijos amarelos e frutas cítricas.

Risco da automedicação

O uso indiscriminado de analgésicos foi apontado como um dos maiores obstáculos ao controle da cefaleia. Oliveira explicou que ingerir mais de dois comprimidos por semana, de forma sistemática, pode levar à cronificação da dor. “A pessoa entra em um ciclo de dependência medicamentosa porque o consumo frequente alimenta o próprio mecanismo doloroso”, advertiu.

Quando procurar ajuda profissional

O médico orienta que qualquer alteração no padrão habitual da dor exige avaliação. Entre os sinais que demandam atenção imediata estão:

  • aumento repentino da frequência;
  • piora na intensidade;
  • visão embaçada ou sensação de luzes e flashes;
  • formigamentos;
  • perda parcial de visão.

Nessas situações, a recomendação é buscar atendimento prioritário a fim de identificar a causa subjacente e evitar complicações.

Cefaleia infantil pode se manifestar de forma atípica

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a ocorrência de dor de cabeça em crianças. O neurocirurgião relatou que, na infância, a enxaqueca nem sempre se apresenta como dor localizada na cabeça. Episódios de dor abdominal intensa ou dores nas pernas sem explicação aparente podem constituir equivalente enxaquecoso. Por isso, pais e responsáveis devem procurar avaliação especializada sempre que esses sintomas se repetirem.

Medidas simples ajudam a reduzir crises

Para prevenir novos episódios de cefaleia, o médico sugeriu ajustes comportamentais que podem ser incorporados à rotina:

  • prática regular de atividade física;
  • sono de qualidade;
  • alimentação balanceada;
  • controle do estresse;
  • limitação do tempo em frente a telas.

Oliveira concluiu que nenhuma pessoa precisa conviver continuamente com dor de cabeça. A procura por orientação médica e a adoção de hábitos saudáveis compõem o caminho mais eficaz para reduzir crises, melhorar o bem-estar e preservar a produtividade.