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Idoso é encontrado morto com tiro na cabeça dentro de casa em Três Lagoas

Um homem de 82 anos foi localizado sem vida, na tarde desta segunda-feira, 8, dentro da residência onde morava na Rua Itacil Pereira Martins, bairro Guanabara, região sul de Três Lagoas. Identificado como José Bernardino da Silva Sobrinho, o idoso apresentava ferimento de arma de fogo na testa e o caso é investigado como homicídio triplamente qualificado.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 13h, depois que o filho da vítima encontrou o pai aparentemente morto no quarto. Ele relatou ter chegado ao endereço e percebido uma janela danificada; ao se aproximar da cama, tocou o rosto do genitor e constatou que o corpo estava frio. Diante do cenário, solicitou a presença dos militares, que entraram no imóvel e confirmaram o óbito.

No quarto, os policiais observaram perfurações de disparos na janela e viram o corpo sobre a cama coberto por um lençol, deixando apenas a cabeça descoberta. A equipe isolou a área para a atuação da Polícia Científica, responsável pelos trabalhos periciais e pela remoção do cadáver, enquanto a Polícia Civil iniciou as diligências.

Participaram do atendimento inicial os delegados Fernando Casatti, Gabriel Salles e Ricardo Cavagna, da Seção de Investigações Gerais (SIG). Os peritos identificaram marcas de projéteis na estrutura da janela, indicando que os tiros ocorreram do lado externo em direção à cama onde o idoso dormia. A principal hipótese apurada é de que o autor tenha alcançado os fundos da residência, efetuado os disparos contra a vítima ainda adormecida e fugido logo em seguida.

Um ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o estado de segurança do imóvel quando as equipes chegaram. A casa estava trancada com correntes, e os cadeados precisaram ser rompidos para permitir o acesso dos peritos e a retirada do corpo. A circunstância reforça a linha de investigação que considera o disparo feito através da janela como forma de dificultar qualquer reação da vítima.

Enquanto a perícia era realizada, o filho de José Bernardino prestou declarações aos policiais. De acordo com informações colhidas no local, alguns detalhes fornecidos por ele apresentaram divergências em momentos distintos do atendimento, motivo pelo qual novas oitivas deverão ocorrer a fim de esclarecer contradições. A Polícia Civil não descarta nenhuma possibilidade sobre a autoria e analisa todas as versões apresentadas.

Durante as diligências, uma amiga da família informou aos investigadores que, dias antes do crime, o idoso comentou sobre o interesse de terceiros na compra de seu imóvel por valor considerado inferior ao de mercado. Segundo o relato, ele estaria ressentido com as insistentes propostas, o que passou a ser avaliado pelos policiais como potencial motivação.

O inquérito tramita como homicídio triplamente qualificado: motivo fútil, meio que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e execução com disparo direcionado à cabeça. A tipificação inicial baseia-se na dinâmica aparentemente premeditada, na escolha de disparar contra alguém dormindo e no ponto vital atingido.

Os peritos coletaram vestígios balísticos na janela e no interior do quarto, além de registrarem fotografias para reconstrução da cena. Amostras de materiais foram encaminhadas ao laboratório forense, que deverá emitir laudos sobre a trajetória dos projéteis e calibre utilizado. A perícia necroscópica também deverá determinar com precisão a distância do disparo e a hora da morte, informações consideradas essenciais para confrontar depoimentos e refinar a linha do tempo do crime.

Equipes da Polícia Civil seguem em busca de imagens de câmeras de segurança instaladas em vias próximas, que possam mostrar movimentação estranha nas imediações antes ou depois do horário estimado do homicídio. Vizinhos também serão ouvidos para verificar se houve barulho de disparos ou presença de pessoas desconhecidas no entorno.

Até o momento não há suspeitos formalmente identificados, e nenhuma prisão foi efetuada. Os investigadores trabalham para confirmar se o possível interesse na compra do imóvel tem ligação direta com o homicídio ou se outras motivações estão envolvidas. Informações adicionais sobre o histórico familiar da vítima e eventuais desavenças pessoais também compõem a apuração.

Concluídos os laudos periciais, a Polícia Civil deverá avançar na reconstituição da dinâmica do assassinato, estabelecendo uma sequência cronológica dos fatos, a distância dos disparos e o ponto exato de fuga do atirador. Testemunhas ainda não ouvidas serão convocadas, e novos elementos poderão orientar a busca por provas complementares, como registros telefônicos e movimentações financeiras.

O caso permanece sob investigação, e a autoridade policial reforça a importância de eventuais informações anônimas que possam contribuir para identificar o responsável pelo crime.

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