Um homem foi imobilizado em uma cadeira de plástico no centro de Maracaju, município localizado a aproximadamente 90 quilômetros de Dourados, na manhã desta terça-feira, 9 de abril. Segundo a Polícia Militar, ele é suspeito de consumir pastéis em dois estabelecimentos comerciais e deixar ambos sem quitar a conta.
A ocorrência começou por volta das 8h, quando o dono de uma lanchonete especializada em salgados acionou a polícia relatando que um cliente havia ingerido dois pastéis, avaliados em R$ 8 cada, e saído sem efetuar o pagamento. A patrulha iniciou buscas na região central e, poucos minutos depois, localizou o suspeito nas proximidades da principal praça da cidade.
Enquanto os militares se aproximavam, moradores já haviam contido o homem. Testemunhas improvisaram uma corda para amarrá-lo a uma cadeira disposta na calçada, medida que gerou registro fotográfico e chamou a atenção de quem passava pelo local. Quando a equipe chegou, encontrou o suspeito sentado, preso pelo tronco, mas sem ferimentos aparentes.
No mesmo local, os policiais receberam informação adicional de que o homem havia passado pouco antes por outra salgaderia. Conforme relato do proprietário desse segundo comércio, o suspeito ingeriu mais dois pastéis, no valor de R$ 4 cada, e também tentou sair sem pagar. Com isso, o prejuízo total somou R$ 24.
Os agentes conduziram o suspeito à Delegacia de Polícia Civil de Maracaju. De acordo com o boletim de ocorrência, foi necessário o uso de algemas durante o trajeto porque ele apresentava comportamento agressivo e se mostrava resistente à abordagem. Não houve registro de feridos entre os envolvidos.
A delegada Gláucia Fernanda Valério classificou o fato como estelionato, na modalidade “outras fraudes” relativa ao consumo de alimentos ou bebidas sem pagamento, prevista no artigo 176 do Código Penal. O enquadramento legal prevê pena de detenção de quinze dias a dois meses ou multa, nos termos da legislação vigente.
Após o registro do boletim, o suspeito foi liberado enquanto o inquérito prossegue. A polícia informou que vai apurar se o homem já se envolveu em ocorrências semelhantes na região e se existem outras vítimas que não tenham formalizado denúncia.
Segundo a corporação, a prática de reter pessoas suspeitas de pequenos delitos por meios improvisados, como amarrações, não é recomendada, pois pode caracterizar constrangimento ilegal e gerar riscos de lesões tanto para o contido quanto para quem efetua a imobilização. A orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar e aguardar a chegada dos agentes.
Maracaju, onde ocorreu o episódio, possui cerca de 48 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O município integra a região sul de Mato Grosso do Sul, área em que pequenos estabelecimentos de alimentação, como pastelarias e lanchonetes, constituem parte significativa do comércio local.
Até o momento, nenhum dos proprietários dos comércios envolvidos manifestou intenção de buscar ressarcimento adicional ou mover ação civil. A Polícia Civil destacou que, mesmo diante de valores considerados baixos, o não pagamento caracteriza delito, e a formalização de queixa é necessária para registro estatístico e possível responsabilização criminal.
O suspeito não teve identidade divulgada, conforme prevê a Lei de Abuso de Autoridade. Ele será intimado a prestar novos esclarecimentos caso surjam informações complementares durante a investigação. A polícia também aguarda eventuais imagens de câmeras de segurança, que podem confirmar a sequência dos fatos relatados pelos comerciantes.
Com a liberação do homem, o inquérito seguirá em trâmite na Delegacia de Polícia Civil de Maracaju. Se a prática reiterada de consumo sem pagamento for comprovada, o Ministério Público poderá oferecer denúncia à Justiça. Enquanto isso, a Polícia Militar reforça a importância do acionamento rápido das autoridades em situações semelhantes, evitando que cidadãos recorram a métodos próprios de contenção.









