Search

MEC amplia infraestrutura para estudantes indígenas na UFMS e eleva aportes a R$ 35 milhões

O Ministério da Educação (MEC) inaugurou novas estruturas acadêmicas destinadas a estudantes indígenas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e anunciou recursos adicionais para diferentes campi da instituição. As entregas ocorreram na quarta-feira (10), em cerimônia no Campus Campo Grande, com a participação do ministro da Educação, Leonardo Barchini, do secretário de Educação Superior, Marcus David, da reitora da UFMS, Camila Celeste, além de representantes estudantis.

Os investimentos somam R$ 35 milhões, dos quais R$ 12,6 milhões correspondem às ações apresentadas no evento e R$ 22,4 milhões integram o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). O pacote contempla expansão, consolidação e modernização de unidades, com foco em acessibilidade, permanência estudantil e estímulo ao desenvolvimento regional.

Campus Aquidauana reforça inclusão indígena

No Campus Aquidauana, foi concluída a primeira etapa da ampliação do Alojamento Indígena. O espaço, originalmente planejado para 100 vagas, passou a comportar 200 estudantes, com ambientes voltados especificamente às necessidades de mães em graduação. O alojamento recebeu camas, berços, sala de amamentação, áreas de convivência para crianças e mobiliário ergonômico. Um novo vestiário, equipado com instalações sanitárias, chuveiros e locais de troca, poderá atender até 400 alunos em regime de alternância entre universidade e aldeias.

A obra inclui ainda o Laboratório de Informática, o LabCrie Indígena, a Sala Verde, a Copa Acadêmica, a Brinquedoteca e a Sala de Lactante. Esses ambientes, financiados com R$ 4 milhões da própria universidade, foram projetados para fomentar inclusão digital, incentivar práticas pedagógicas inovadoras e oferecer suporte à permanência de estudantes com filhos.

O Laboratório de Informática dispõe de computadores atualizados, conectividade estável e cabeamento estruturado, permitindo que os alunos desenvolvam competências exigidas pelo mercado. O LabCrie Indígena apoia projetos do curso de Pedagogia Indígena, estimulando criatividade e inovação na educação básica. Já a Sala Verde promove atividades sobre sustentabilidade e conhecimento tradicional voltado à preservação do bioma pantaneiro. A Copa Acadêmica, equipada com utensílios de cozinha, possibilita que estudantes preparem refeições de acordo com costumes culturais, enquanto a Brinquedoteca disponibiliza jogos e acompanhamento profissional para crianças.

Novo centro de convivência em Campo Grande

O Centro de Convivência e Empreendedorismo Estudantil, conhecido como Autocine, foi entregue no Campus Campo Grande. O complexo, erguido em área de 12,6 mil m², possui aproximadamente 2,1 mil m² de área construída em arquitetura modular, distribuídos em dois pavimentos. O espaço reúne cozinha experimental, escritórios, salas de coworking, refeitório, livraria, lojas e ambientes para eventos com palco, camarim e bilheteria. O investimento na estrutura alcançou R$ 6,8 milhões, com objetivo de incentivar iniciativas de inovação, geração de renda e integração comunitária.

Projetos complementares

Duas ordens de serviço foram assinadas durante a agenda. A primeira autoriza a expansão do projeto Aldeias Conectadas, que receberá R$ 300 mil. Criada durante a pandemia, a iniciativa levou internet a sete aldeias sul-mato-grossenses e agora abrangerá mais 11 comunidades, beneficiando mais de mil estudantes. Para viabilizar a conectividade, a UFMS instalará torres de comunicação e pontos de acesso Wi-Fi em cada localidade.

A segunda ordem destina R$ 1,5 milhão à obra de infraestrutura elétrica do Bloco 4 do Campus Paranaíba. A melhoria deve garantir fornecimento estável de energia para salas de aula, laboratórios e áreas administrativas.

Aportes do Novo PAC

Além dos recursos anunciados, o Novo PAC direciona R$ 22,4 milhões à UFMS para obras de expansão e consolidação. Entre as intervenções previstas estão a construção da Faculdade de Direito, a urbanização do Setor Aginova, a edificação da Unidade de Psicologia e a implementação de complexos esportivos ou culturais em quase todos os campi, com exceção de Corumbá.

Os investimentos integram programa criado em 2025 para ampliar a participação indígena no ensino superior, garantir permanência e valorizar culturas originárias. A iniciativa organiza ações em três eixos: fortalecimento da trajetória acadêmica, ampliação da participação em projetos de ensino, pesquisa e extensão, e criação de ambiente inclusivo e representativo nos espaços universitários.

Perfil da universidade

Fundada em 1969 como Universidade Estadual de Mato Grosso e federalizada em 1979, a UFMS mantém atualmente dez campi: Campo Grande, Aquidauana, Chapadão do Sul, Corumbá, Coxim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas. A instituição oferta 123 cursos de graduação e 48 programas de pós-graduação, atendendo cerca de 30 mil estudantes.

O quadro funcional conta com 1.584 docentes e 1.756 técnicos administrativos. Pelo Programa Bolsa Permanência, 611 vagas são destinadas a apoio financeiro, das quais 576 atendem estudantes indígenas e 35 contemplam quilombolas.

Com as entregas concluídas e os novos contratos firmados, o MEC afirma que a recuperação de espaços físicos, a modernização de laboratórios e a ampliação da conectividade devem contribuir para elevar a qualidade do ensino e reforçar a permanência de alunos em situação de vulnerabilidade social nos campi da UFMS.

Isso vai fechar em 35 segundos