Uma universitária de 19 anos procurou a Primeira Delegacia de Polícia Civil de Paranaíba nesta quarta-feira (10) para registrar ocorrência de estelionato depois de ter o celular formatado remotamente, o WhatsApp clonado e dinheiro retirado de sua conta. O prejuízo financeiro contabilizado até o momento é de R$ 245, distribuídos em duas transferências não autorizadas.
De acordo com o boletim de ocorrência, a fraude começou quando uma amiga informou que teria valores a receber de um suposto estorno do Mercado Livre. Por estar com a própria conta bancária negativada, a colega pediu que o depósito fosse realizado na conta da estudante. Convencida de que ajudaria a amiga, a vítima forneceu os dados bancários e aguardou o contato do que acreditava ser um representante da plataforma de e-commerce.
Em seguida, a jovem recebeu uma videochamada de um homem que se apresentou como funcionário do Mercado Livre. Durante a conversa, a amiga participou ativamente, reforçando a legitimidade do contato. O suposto atendente enviou links e orientou a estudante a copiá-los no navegador, além de executar uma sequência de procedimentos diretamente no aparelho celular, alegando que tais etapas seriam necessárias para liberar o reembolso.
Logo depois, o homem solicitou que a vítima abrisse o aplicativo da Caixa Econômica Federal e compartilhasse a tela do smartphone para que ele pudesse “verificar” dados bancários. A jovem atendeu às instruções; porém, durante o processo, o telefone desligou de forma repentina. Quando foi religado, o dispositivo tinha voltado às configurações de fábrica, indicando restauração completa realizada à distância.
Após reconfigurar o celular, a estudante constatou a perda imediata de acesso ao WhatsApp. As tentativas de reentrada no aplicativo foram frustradas, sinalizando que a conta havia sido clonada. A vítima também percebeu que diversas mensagens haviam sido enviadas a contatos, sem seu conhecimento, possivelmente como parte de novas tentativas de fraude pelos criminosos.
Ao checar o extrato bancário ainda na manhã desta quarta-feira, a jovem encontrou duas transferências que não reconhecia: uma de R$ 45 e outra de R$ 200, destinadas a empresas identificadas apenas pelos códigos internos do banco. Não houve outras movimentações suspeitas, mas a estudante bloqueou imediatamente o cartão virtual, alterou senhas e comunicou o fato à instituição financeira.
Comprovado o golpe, a vítima dirigiu-se à delegacia para registrar a ocorrência. A Polícia Civil abriu investigação para rastrear a origem das ligações, dos links enviados e dos valores transferidos. Segundo os agentes, será solicitado às plataformas bancárias e de mensagens o fornecimento de registros que possam identificar os autores.
Em nota, a Polícia alertou que empresas de comércio eletrônico não pedem compartilhamento de tela, instalação de aplicativos desconhecidos nem acesso remoto aos aparelhos dos clientes. Qualquer pedido nesse sentido deve ser considerado suspeito. A orientação oficial é interromper de imediato o atendimento, evitar clicar em links não verificados e buscar os canais formais de suporte da companhia mencionada.
A corporação ressaltou ainda que golpistas costumam utilizar perfis falsos, logotipos copiados e linguagem persuasiva para conferir legitimidade às abordagens. A participação de conhecidos, como no caso da amiga envolvida, é tática recorrente para aumentar a confiança da vítima. No entendimento dos investigadores, o golpe reúne indícios de ação estruturada que combina engenharia social e técnicas de invasão remota.
O caso será investigado sob a tipificação de estelionato eletrônico, crime que prevê pena de reclusão e multa. Enquanto a investigação prossegue, a estudante tenta recuperar o número do WhatsApp por meio dos procedimentos de verificação em duas etapas e acompanha junto ao banco o estorno dos valores. A Polícia reforça que, se houver novas movimentações, a vítima deve comunicar imediatamente às autoridades para ampliar o conjunto de evidências.
Este episódio se soma a outras ocorrências recentes registradas em Paranaíba envolvendo golpes virtuais. As forças de segurança recomendam atenção redobrada a solicitações incomuns, mesmo quando feitas por amigos ou familiares, e insistem para que os usuários habilitem recursos de segurança, como autenticação em duas etapas e senhas fortes, tanto em aplicativos de mensagens quanto em serviços bancários.
Até o momento, não há informações sobre a localização dos autores nem sobre eventual conivência da amiga que participou da chamada de vídeo. A Polícia aguarda retorno de ordens judiciais enviadas a operadoras de telefonia e plataformas digitais para prosseguir com a identificação dos envolvidos.









