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Federação de Lojistas de MS denuncia aumento de golpe que promete limpar nome de inadimplentes

A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL/MS) emitiu um alerta para o avanço de um esquema conhecido como “limpa-nome”, que oferece aos consumidores a retirada definitiva de registros de inadimplência. A prática, disseminada principalmente em redes sociais, tem provocado prejuízos financeiros e insegurança jurídica tanto para devedores quanto para comerciantes de Campo Grande e de outras cidades do estado.

Segundo a federação, os anúncios apresentam-se como solução rápida para quem deseja regularizar a situação de crédito sem a necessidade de negociar diretamente com os credores. Prometendo resultados imediatos, os intermediadores cobram valores antecipados e garantem que o cliente deixará de constar em bancos de dados como SPC Brasil e Serasa. Contudo, a promessa não se confirma, pois o procedimento apenas oculta temporariamente as restrições mediante decisões judiciais liminares, sem eliminar a dívida.

O método utilizado pelo grupo envolve associações de defesa do consumidor que ingressam com ações coletivas contra os birôs de crédito. Nas petições, costuma-se alegar que o consumidor não foi notificado antes da negativação, pedido que leva alguns juízes a conceder liminares suspendendo a exibição dos débitos. Investigação conduzida pela FCDL/MS aponta, entretanto, que a maioria dos devedores efetivamente recebeu a comunicação prevista em lei, o que torna as decisões provisórias e suscetíveis de revogação após análise mais aprofundada do mérito.

Durante o período em que a liminar vigora, o consumidor passa a constar nos cadastros como se não tivesse pendências financeiras, situação que pode durar semanas ou meses. Quando a medida é revogada ou expira, o registro negativo retorna, restabelecendo a informação original. Assim, o contratante que pagou pelo serviço permanece com a obrigação financeira intacta e ainda arca com os custos cobrados pelos intermediadores, configurando dupla perda.

Para o setor varejista, o golpe produz impactos adicionais. Lojistas, administradoras de cartão de crédito e instituições financeiras baseiam-se nos bancos de dados de inadimplentes para avaliar riscos antes de conceder financiamentos, empréstimos ou vendas parceladas. A ocultação temporária das restrições distorce a análise de crédito, eleva a possibilidade de calote e encarece as operações, afetando todo o mercado. A FCDL/MS ressalta que a confiabilidade das informações disponíveis nos birôs é essencial para estabelecer condições de pagamento justas e sustentáveis.

Diante do cenário, a federação pretende encaminhar ofícios ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e ao Procon estadual solicitando providências que inibam a prática. A entidade argumenta que o uso recorrente de ações judiciais sem fundamento sólido sobrecarrega o Judiciário, prejudica consumidores bem-intencionados e amplia a sensação de impunidade para quem opera o esquema. Medidas de fiscalização mais rigorosas e campanhas de esclarecimento ao público estão entre as soluções sugeridas pela instituição.

Como alternativa segura para quem deseja regularizar débitos, a FCDL/MS recomenda a negociação direta com os credores ou a utilização de plataformas reconhecidas e regulamentadas, caso do sistema do SPC Brasil. Nessas ferramentas, o consumidor pode consultar pendências, obter orientação financeira e renegociar valores em condições compatíveis com sua capacidade de pagamento. A entidade enfatiza que a quitação de dívidas deve ocorrer por meios transparentes e legais, evitando promessas de resultados fáceis sem respaldo jurídico.

A federação reforça que dívidas legítimas não desaparecem por decisões temporárias e que quaisquer propostas de “apagão” definitivo de registros negativos, sem efetivo pagamento, configuram fraude. Consumidores que identificarem ofertas semelhantes ao “limpa-nome” devem procurar órgãos de defesa do consumidor ou as câmaras de dirigentes lojistas locais para receber orientação e registrar reclamações, contribuindo para o combate a práticas que minam a confiança no mercado de crédito.

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