A atividade mineral consolidou-se como um dos pilares da economia de Mato Grosso do Sul, movimentando aproximadamente R$ 10 bilhões por ano e sustentando mais de 30 mil empregos diretos e indiretos em todo o território estadual. O panorama foi detalhado pelo presidente do Sindicato da Indústria Extrativista de Mato Grosso do Sul (Sindiextra-MS), Jair Panucci, durante entrevista concedida em Três Lagoas.
Segundo o dirigente, a cadeia mineral abrange desde a extração de minério de ferro e manganês — principais produtos de exportação rumo ao mercado asiático — até a produção de areia, brita e calcário, insumos essenciais para a construção civil e para o agronegócio. Somente a extração de ferro e manganês soma perto de 18 milhões de toneladas anuais.
Concentração de produção e polos regionais
Corumbá e Ladário formam o principal polo de minério de ferro e manganês do Estado, concentrando sucessivos investimentos em ampliação de capacidade. Já o eixo Bodoquena-Jardim-Bela Vista destaca-se pela oferta de calcário agrícola e pela presença de fábricas de cimento, enquanto a produção de agregados para construção civil — como areia e brita — distribui-se por diversas regiões sul-mato-grossenses.
O avanço industrial local tem impulsionado a demanda por insumos minerais. A implantação da fábrica de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo, citada por Panucci como exemplo recente, exigiu expansão na oferta de materiais para obras e infraestrutura, favorecendo a instalação de uma nova pedreira no município para atender ao empreendimento.
Cadeia produtiva amplia oportunidades
Além da extração propriamente dita, a mineração move um extenso conjunto de atividades que envolve transporte, manutenção industrial, fornecimento de equipamentos e serviços especializados. De acordo com o presidente do Sindiextra-MS, esse ecossistema cria espaço para pequenas e médias empresas atuarem em áreas como peças, elétrica, soldagem e qualificação de mão de obra.
Apesar do potencial, o setor enfrenta gargalos relacionados à disponibilidade de profissionais treinados. Panucci aponta a necessidade de integrar indústria e instituições de formação técnica para suprir a carência de trabalhadores especializados e acompanhar o ritmo dos projetos em execução.
Fortalecimento da indústria local
Reeleito para um novo mandato de quatro anos à frente do sindicato, Panucci pretende ampliar a representatividade da entidade em todos os municípios e incentivar o consumo de insumos extraídos no próprio Estado. Hoje, cerca de 30% do calcário utilizado em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul ainda chega de outras unidades da federação, mesmo com capacidade interna para atender essa demanda.
O dirigente defende políticas que priorizem fornecedores regionais, reforcem a economia circular e mantenham o capital girando dentro do território sul-mato-grossense. Para ele, estimular a compra de calcário, brita e areia produzidos localmente contribui não apenas para a geração de renda, mas também para a redução de custos logísticos para os usuários finais.
Perspectivas de expansão
Com recursos minerais ainda pouco explorados, o Estado vislumbra oportunidades em diferentes frentes. Um exemplo citado pelo setor é a existência de jazidas de mármore reconhecidas internacionalmente, mas que, na prática, são beneficiadas em outros estados antes da comercialização. A meta, segundo o Sindiextra-MS, é atrair investimentos que permitam agregar valor ao produto dentro de Mato Grosso do Sul, estimulando a industrialização local.
Outro vetor de crescimento envolve a diversificação de minerais estratégicos para agronegócio e infraestrutura, segmentos que puxam a expansão econômica estadual. Demandas crescentes por calcário agrícola, brita e areia refletem o aumento na abertura de áreas de plantio, na construção de estradas vicinais e na execução de grandes projetos industriais.
Para atender a esse cenário, empresas instaladas em Corumbá, Ladário, Bodoquena, Jardim, Bela Vista, Ribas do Rio Pardo e demais cidades projetam ampliar capacidade produtiva, modernizar processos e adotar tecnologias de redução de impacto ambiental, alinhando-se a exigências de mercado e de órgãos reguladores.
Com faturamento anual na casa dos R$ 10 bilhões, mais de 30 mil postos de trabalho e reservas que incluem ferro, manganês, calcário, areia, brita e mármore, a mineração consolida-se como atividade estratégica para Mato Grosso do Sul. A expectativa do Sindiextra-MS é que a combinação de novos investimentos industriais, políticas de fortalecimento da cadeia local e qualificação de mão de obra sustente o crescimento do setor nos próximos anos, ampliando sua participação no Produto Interno Bruto estadual.









