O Bioparque Pantanal, em Campo Grande (MS), passou a exibir ao público a pirarucu apelidada de “Fujona”, peixe que ganhou notoriedade após cair de um tanque durante transporte em veículo e parar no meio de uma via movimentada da área central da capital sul-mato-grossense em abril deste ano. O incidente, registrado por transeuntes, circulou rapidamente nas redes sociais e transformou o animal em tema de debate sobre cuidados com a fauna e preservação ambiental.
Meses após o episódio, a fêmea de pirarucu completou o período de quarentena na estrutura técnica do complexo e foi introduzida no tanque Rios Grandes, espaço que abriga algumas das maiores espécies do aquário, entre elas pintados, cacharas, jaús e arraias. Segundo a equipe de veterinários e biólogos do Bioparque, a aclimatação foi conduzida de forma gradual, com avaliação constante de parâmetros de saúde, comportamento e adaptação alimentar até a liberação definitiva para convivência com os demais peixes.
Durante o confinamento preventivo, os profissionais monitoraram indicadores como frequência respiratória, resposta a estímulos externos, consumo diário de ração e integridade das nadadeiras, garantindo que não houvesse lesões ou infecções decorrentes do estresse sofrido na queda. Apenas após a confirmação de parâmetros fisiológicos estáveis a pirarucu foi considerada apta a integrar o ambiente expositivo.
Com a inclusão no tanque de grandes rios, a Fujona pode agora ser observada pelos visitantes no trajeto principal do circuito de visitação. O local possui painéis informativos sobre ciclo de vida, distribuição geográfica e importância ecológica do pirarucu, uma das maiores espécies de peixe de água doce do mundo, originária da bacia amazônica.
A administração do Bioparque Pantanal avalia que o interesse popular gerado pela história da Fujona amplia o alcance de suas iniciativas de educação ambiental. De acordo com a direção técnica, a instituição pretende utilizar o caso como exemplo em ações didáticas que tratam dos riscos de transporte inadequado de animais, das obrigações legais para manejo de espécies e dos impactos da introdução irregular em ambientes urbanos.
O complexo, inaugurado para divulgar a biodiversidade da região e incentivar práticas de conservação, recebe visitantes de diferentes cidades do estado, além de estudantes da rede pública e privada. A presença da pirarucu resgatada deve compor roteiros de mediação que abordam tópicos como manejo responsável, legislação relacionada à fauna aquática e desafios da manutenção de espécies de grande porte em cativeiro controlado.
Segundo informações fornecidas pela equipe de manejo, o tanque Rios Grandes possui condições ambientais semelhantes às encontradas no habitat natural do pirarucu, com controle de temperatura, fluxo de água e níveis de oxigenação adequados para peixes de grande tamanho. A integração foi acompanhada pela observação da interação do animal com outras espécies já adaptadas ao recinto, não sendo registradas ocorrências de comportamento agressivo ou disputa por território.
O Bioparque reforça que, apesar do episódio inusitado que levou o animal às manchetes, a Fujona passa agora a cumprir um papel instrutivo. Painéis e material impresso explicam que o transporte de peixes de grande porte exige estrutura apropriada, licenciamento e acompanhamento profissional, requisitos que muitas vezes não são seguidos em práticas comerciais informais. O objetivo, segundo a instituição, é conscientizar sobre a necessidade de procedimentos seguros para garantir bem-estar animal e evitar prejuízos aos ecossistemas.
A administração do equipamento turístico destaca ainda que a popularidade do caso contribuiu para aumentar a visitação nos últimos meses. Guias relatam que muitos frequentadores procuram especificamente o tanque dos grandes rios para localizar a pirarucu que ficou conhecida nas redes sociais. A demanda levou o setor educativo a incluir informações adicionais sobre o acidente, detalhando como o resgate foi realizado e quais etapas do processo de recuperação veterinária foram fundamentais para o êxito da reabilitação.
Além de servir como atração, a Fujona também integra projetos internos de pesquisa voltados ao comportamento de pirarucus em cativeiro. Dados coletados sobre padrões alimentares, crescimento e socialização serão compartilhados com instituições parceiras que estudam a conservação da espécie, considerada estratégica para a manutenção de estoques pesqueiros sustentáveis na Amazônia.
Com a exibição aberta, o Bioparque Pantanal reforça sua programação de visitas monitoradas e convida escolas a agendar atividades que relacionam a história da pirarucu ao tema da responsabilidade individual e coletiva em relação à fauna. As ações incluem oficinas de sensibilização, palestras sobre legislação ambiental vigente em Mato Grosso do Sul e demonstração de práticas adequadas de transporte de organismos aquáticos.
A história da Fujona, iniciada com um imprevisto em via pública, passa a fazer parte do acervo de narrativas educativas do Bioparque, servindo de exemplo prático sobre a interação entre sociedade e meio ambiente. A expectativa da coordenação é que o episódio continue estimulando reflexões sobre a importância da conservação da biodiversidade regional e do cumprimento de normas que asseguram o bem-estar de animais silvestres.









