O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) realiza nesta terça-feira (16) o velório do desembargador aposentado José Augusto de Souza, que morreu na segunda-feira (15), em Campo Grande, aos 89 anos. O corpo é velado no saguão do Tribunal Pleno e o sepultamento está programado para o fim da tarde, reunindo magistrados, servidores, familiares, amigos e autoridades que desejam prestar as últimas homenagens.
Nascido em 8 de maio de 1937, em Monte Carmelo, Minas Gerais, José Augusto de Souza formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Londrina, no Paraná, em 1963. Doze anos depois, em 1975, ingressou na magistratura sul-mato-grossense como juiz de Direito da comarca de Nova Andradina, dando início a uma trajetória que se estenderia por mais de três décadas e deixaria marcas relevantes no Judiciário estadual.
A carreira do magistrado incluiu passagens por diversas comarcas do interior antes de sua promoção, em 1987, ao cargo de desembargador do TJMS. Nessa condição, ocupou postos de destaque: foi vice-presidente do Tribunal de Justiça entre 1995 e 1996, presidiu o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) no biênio 1999/2000 e chefiou o próprio TJMS de 2001 a 2002.
Durante a presidência do Tribunal de Justiça, José Augusto conduziu um processo de modernização estrutural considerado decisivo para o aprimoramento dos serviços judiciais. Uma das iniciativas mais lembradas é a construção do atual Fórum de Campo Grande, projeto que ampliou a capacidade de atendimento e concentrou unidades judiciárias em um único espaço, contribuindo para maior eficiência administrativa.
Além do fórum da capital, o desembargador participou da expansão da infraestrutura judiciária em outras regiões do Estado. Sob sua gestão, comarcas de diferentes portes receberam novos prédios ou ampliações, o que, à época, possibilitou melhores condições de trabalho para magistrados, servidores e usuários da justiça. A atuação foi marcada ainda pela adoção de medidas voltadas à informatização inicial de processos e ao fortalecimento da autonomia administrativa do Poder Judiciário sul-mato-grossense.
Depois de 32 anos de serviço público, José Augusto de Souza aposentou-se em abril de 2007. Mesmo fora da ativa, permaneceu próximo das atividades institucionais, participando de eventos comemorativos e contribuindo com relatos históricos sobre a formação da Corte. Colegas lembram que, nas sessões solenes, costumava enfatizar a importância da conduta ética e do respeito às garantias constitucionais como fundamentos da magistratura.
O TJMS divulgou nota oficial em que destaca a “dedicação exemplar” do desembargador às causas públicas. O presidente da Corte, desembargador Dorival Renato Pavan, declarou que o legado de José Augusto “permanece como referência para magistrados de todas as gerações”. Na manifestação institucional, foram ressaltadas a integridade pessoal, a firmeza na aplicação do direito e o compromisso com o fortalecimento das instituições democráticas.
Desde a manhã, servidores aposentados, magistrados em atividade e representantes do Ministério Público formam fila no saguão para um breve momento de despedida. Coroas de flores enviadas por tribunais de outros Estados, pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul, e por entidades de classe compõem o cenário do velório. Discursos rápidos e emocionados de colegas lembram episódios de audiências marcantes e decisões que contribuíram para a jurisprudência local.
O magistrado deixa a esposa, Maria Ignez Grassano Streicher de Souza, e dois filhos, Luiz Henrique e Adriano. Familiares optaram por não divulgar a causa da morte. Amigos próximos informaram apenas que o desembargador enfrentava questões de saúde típicas da idade, sem detalhar tratamentos ou eventual internação.
O cortejo fúnebre seguirá do TJMS para um cemitério da capital, em horário a ser definido pela família após o encerramento do velório. A expectativa é de que a última etapa das homenagens reúna integrantes dos três Poderes estaduais, visto o reconhecimento amplo à contribuição de José Augusto de Souza para a consolidação institucional do Estado desde sua criação, em 1979.
Com a morte do desembargador, o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul perde um de seus articuladores históricos, responsável por medidas que demarcaram o início da modernização administrativa. A trajetória iniciada na comarca de Nova Andradina, consolidada no Tribunal de Justiça e reverenciada por colegas e servidores permanece registrada nos anais da Corte e nas estruturas que ele ajudou a erguer.









