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Campanha Junho Vermelho destaca queda nas doações e incentiva solidariedade em Mato Grosso do Sul

A mobilização Junho Vermelho, voltada à conscientização sobre a doação de sangue, voltou a ganhar destaque em Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao programa Microfone Aberto, da Rádio Massa FM Campo Grande, o fundador do Instituto Sangue Bom, Carlos Alberto Rezende – conhecido como professor Carlão – lembrou que o período de outono e inverno registra tradicionalmente redução no número de doadores e, por essa razão, o mês de junho é reservado a ações para reforçar os estoques dos hemocentros.

Rezende ressaltou que a iniciativa Junho Vermelho foi criada justamente para enfrentar a queda sazonal das coletas. Além disso, o calendário inclui o Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, data que ajuda a ampliar a visibilidade das campanhas e facilita o trabalho de mobilização social em todo o país.

Durante a conversa com os ouvintes, o professor recordou a própria história. Ele sobreviveu depois de receber sangue de um voluntário anônimo e, desde então, transformou a gratidão em compromisso permanente. Essa experiência levou à criação do Instituto Sangue Bom, em 2015. Segundo o fundador, o projeto soma mais de 6,5 mil ações de conscientização realizadas desde o início, número que inclui palestras, mutirões, parcerias com empresas e atividades em escolas. Somente em 2026, já foram promovidas mais de 250 intervenções voltadas a informar a população sobre os requisitos e a importância da doação.

Com sede em Campo Grande, o Instituto trabalha em conjunto com hemocentros de Mato Grosso do Sul para ampliar tanto a quantidade de doadores eventuais quanto o grupo de doadores regulares. A estratégia envolve reuniões com lideranças comunitárias, divulgação em meios de comunicação e apoio logístico para quem deseja se deslocar até os pontos de coleta. Ao falar sobre os resultados, Rezende enfatizou que a principal meta vai além de repor estoques pontuais: o objetivo final é consolidar uma cultura duradoura de solidariedade, em que o ato de doar faça parte da rotina de um número crescente de cidadãos.

Atualmente, de acordo com dados citados pelo entrevistado, entre 1,3% e 1,5% da população brasileira doa sangue de forma regular. O índice está abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera ideal a participação de 3% a 3,5% dos habitantes. A distância entre a realidade e a meta reforça a necessidade de mobilizações como o Junho Vermelho, na avaliação do Instituto.

O processo para se tornar doador contempla uma triagem clínica e laboratorial realizada por profissionais de saúde. Nessa etapa, são verificados critérios como faixa etária, peso, condições gerais de saúde e ausência de comportamentos de risco que possam comprometer a segurança das bolsas coletadas. Pessoas que apresentam pequenos resfriados ou que fizeram cirurgias recentemente podem ser orientadas a adiar a doação até estarem aptas, procedimento que visa proteger tanto o receptor quanto o próprio doador.

Outro ponto destacado na entrevista diz respeito à imprevisibilidade da demanda hospitalar. Acidentes de trânsito, procedimentos emergenciais e tratamentos de doenças oncológicas requerem transfusões constantes. Como o sangue possui validade limitada fora do organismo, manter níveis adequados de estoque depende de doações contínuas ao longo de todo o ano. A redução típica nos meses frios torna a reposição ainda mais desafiadora, o que justifica, segundo Rezende, o reforço de campanhas específicas nesse período.

O Instituto Sangue Bom também atua na orientação de empresas interessadas em organizar campanhas internas. A equipe oferece palestras, material educativo e suporte na logística de transporte dos colaboradores até o hemocentro mais próximo. Parcerias com escolas incluem oficinas e atividades lúdicas, planejadas para que crianças e adolescentes compreendam desde cedo a relevância do ato solidário, formando potenciais doadores para o futuro.

Além das ações presenciais, redes sociais e aplicativos de mensagem são usados para multiplicar informações confiáveis sobre requisitos, horários de funcionamento dos postos de coleta e atualizações de estoque em tempo real. Essa estratégia busca reduzir mitos, como a crença de que a doação cause fraqueza prolongada ou que pessoas com tatuagens recentes nunca possam doar. Ao esclarecer dúvidas, o Instituto espera ampliar a base de doadores de forma estável.

No encerramento da entrevista, Rezende convocou a comunidade a incluir a doação de sangue na rotina, lembrando que um único gesto pode beneficiar vários pacientes. A expectativa do Instituto Sangue Bom é superar, nos próximos anos, a marca de 10 mil ações de conscientização e, com isso, aproximar o país do índice recomendado pela OMS. Até lá, campanhas como o Junho Vermelho seguem fundamentais para reduzir a distância entre oferta e necessidade, especialmente nos meses em que o frio e outras circunstâncias diminuem a disposição espontânea dos cidadãos a procurar os hemocentros.

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