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Campo Grande firma com UCDB laboratório para aplicar pesquisa acadêmica na gestão pública

A Prefeitura de Campo Grande e a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) formalizaram, na quarta-feira, 17, a criação do Laboratório Vivo de Inovação Social na Gestão Pública. A iniciativa integra o projeto UniverCidades e pretende aproximar a produção científica da universidade das políticas municipais, oferecendo bases empíricas para decisões administrativas e aprimoramento de serviços.

O acordo foi firmado por meio de protocolo de intenções e plano de trabalho assinados pela prefeita Adriane Lopes e pelo reitor padre Hermenegildo Conceição Silva. Segundo os envolvidos, a parceria mobilizará pesquisas, estudos e levantamentos já desenvolvidos na instituição para identificar desafios urbanos e apontar soluções. A gestão municipal terá acesso a dados sistematizados, enquanto docentes e estudantes encontrarão um ambiente prático para aplicar metodologias de investigação.

Nesta etapa inicial, o laboratório concentrará suas ações no bairro Anhanduizinho, área caracterizada por altos índices de vulnerabilidade social. Equipes formadas por alunos de graduação e pós-graduação irão a campo para mapear necessidades locais, levantar indicadores e propor intervenções que possam orientar a formulação de políticas. O poder público utilizará as informações para planejar obras, programas e serviços com maior precisão.

Ao formalizar a cooperação, a prefeita ressaltou que a UCDB mantém cerca de 90 projetos acadêmicos em andamento, dos quais 28 têm relação direta com temas de gestão pública. Para ela, a convergência entre universidade e prefeitura potencializa resultados, pois alia conhecimento técnico, experiência de pesquisa e capacidade de implementação.

O reitor da UCDB destacou que o laboratório nasce em um território com demandas urgentes. De acordo com ele, compreender a realidade socioeconômica do Anhanduizinho e traduzir informações em ações concretas pode elevar a qualidade de vida de moradores, além de oferecer um modelo de atuação que poderá ser replicado em outras regiões da cidade.

Na prática, o Laboratório Vivo funcionará como um centro de inteligência aplicado. Pesquisadores coletarão dados sobre infraestrutura, saúde, educação, mobilidade e segurança, entre outros temas. Os resultados serão organizados em relatórios técnicos, dashboards e bancos de dados acessíveis aos gestores municipais. A expectativa é que relatórios de curto prazo orientem intervenções emergenciais, enquanto estudos de médio e longo prazo embasem planejamento estratégico e elaboração de políticas estruturais.

O projeto UniverCidades, sob o qual a iniciativa está abrigada, busca criar uma ponte permanente entre academia e setor público. A abordagem prevê integração multidisciplinar, reunindo áreas como ciências sociais, economia, engenharia, arquitetura, administração e tecnologia da informação. Alunos envolvidos participarão de atividades de extensão, estágios e linhas de pesquisa, ampliando a formação prática e a compreensão de problemas urbanos.

Para a Prefeitura de Campo Grande, a principal vantagem reside em adotar processos baseados em evidências, reduzindo margens de erro e otimizando recursos. Segundo a administração municipal, decisões orientadas por dados tendem a tornar políticas mais eficientes e a aumentar a transparência dos gastos públicos. Já a universidade reforça seu compromisso de impacto social, demonstrando como o conhecimento produzido em sala de aula e laboratórios pode gerar benefícios diretos à comunidade.

Ao longo da execução, a iniciativa prevê monitoramento constante dos resultados. Métricas de desempenho serão definidas conjuntamente para avaliar indicadores como redução de demandas reprimidas em serviços, melhoria de indicadores sociais e satisfação dos moradores. Também está em estudo a realização de seminários periódicos para divulgação dos achados e troca de experiências com outras instituições de ensino e municípios interessados em replicar o formato.

Conforme a UCDB e a prefeitura, o Laboratório Vivo de Inovação Social na Gestão Pública permitirá que Campo Grande avance em inovação administrativa, ampliando a utilização de evidências científicas nas políticas locais. A expectativa é que os primeiros relatórios sobre o bairro Anhanduizinho sejam apresentados ainda neste semestre, possibilitando ajustes imediatos em programas existentes e subsidiando novos projetos destinados à região.

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