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Fiocruz aponta Campo Grande em nível de alerta para síndromes respiratórias graves

O mais recente Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (18) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica aumento consistente nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre jovens, adultos e idosos em todo o país. Segundo a análise, a capital sul-matogrossense figura entre as cidades brasileiras em nível de alerta, situação que também atinge Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Florianópolis.

De acordo com o levantamento, o crescimento das internações está associado principalmente a dois grupos virais. Em crianças pequenas, o vírus sincicial respiratório (VSR) permanece como o agente predominante. Já entre adolescentes, adultos e idosos, os principais responsáveis pelas hospitalizações são os vírus influenza A e influenza B. Os dados reforçam que, apesar da lenta circulação do coronavírus no período recente, outros patógenos respiratórios seguem pressionando o sistema de saúde.

A Fiocruz detalha que a evolução dos casos não ocorre de maneira uniforme em todas as faixas etárias. Entre os menores de 4 anos, há tendência de desaceleração, enquanto crianças e adolescentes de 5 a 14 anos apresentam queda no número de ocorrências. O cenário muda a partir da juventude: jovens, adultos e principalmente idosos registram aumento tanto de notificações quanto de hospitalizações, impulsionado pela influenza em suas duas variantes sazonais.

O boletim destaca a influência diferenciada dos vírus sobre morbidade e mortalidade. Nas internações pediátricas, o VSR responde pela maioria dos episódios de SRAG. No entanto, as mortes se concentram em pacientes mais velhos, sobretudo aqueles acima de 60 anos infectados por influenza A. Essa combinação eleva o risco de complicações, demandando vigilância contínua das unidades de saúde e atenção especial a grupos vulneráveis.

No panorama nacional, a investigação laboratorial dos casos recentes confirma a predominância do influenza A como principal causa de óbitos por causas respiratórias graves. O documento também ratifica que a covid-19, embora ainda presente, apresenta circulação reduzida e atualmente exerce impacto limitado nas estatísticas de hospitalização. Segundo a Fiocruz, a presença simultânea de diversos vírus respiratórios mantém o patamar de alerta, pois aumenta a probabilidade de surtos localizados e de sobrecarga dos serviços hospitalares.

A capital Campo Grande, ao integrar o grupo de municípios em nível de atenção, reflete tendências observadas em diferentes regiões brasileiras. O monitoramento indica crescimento gradual dos atendimentos por SRAG nas últimas semanas epidemiológicas. A Fiocruz ressalta que a classificação de alerta não significa, necessariamente, colapso iminente, mas exige reforço das estratégias de prevenção, testagem e vacinação para conter possíveis picos de internação.

Especialistas do sistema de vigilância reforçam que a coexistência de VSR, influenza A e influenza B em circulação comunitária amplia o leque de sintomas e pode dificultar o diagnóstico clínico inicial. Diante desse quadro, o boletim recomenda que gestores de saúde mantenham ações de imunização adequadas ao calendário vigente, garantam a disponibilidade de leitos para complicações respiratórias e fortaleçam campanhas de orientação sobre medidas de proteção individual, como etiqueta respiratória e uso correto de máscaras em ambientes com maior risco de transmissão.

Embora o ritmo de avanço seja distinto conforme a faixa etária e a localidade, a Fiocruz avalia que o quadro geral justifica a manutenção de protocolos de vigilância epidemiológica em todos os níveis do SUS. O acompanhamento semanal dos indicadores de SRAG continuará a nortear a adoção de eventuais medidas adicionais, caso se observe aceleração mais acentuada dos casos ou aumento expressivo nas taxas de mortalidade em regiões específicas.

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