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Chuva de junho em Três Lagoas supera média histórica em mais de seis vezes e antecipa transtornos antes do inverno

Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, registrou neste mês um volume de chuva incomum para o período. Entre 1º e 19 de junho, os acumulados nas estações monitoradas pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) atingiram 178 milímetros, equivalente a 614 % da média histórica de 29 milímetros para todo o mês. O índice, medido a partir de dados de superfície e satélite, colocou a cidade muito acima do padrão climatológico normal para a região.

O excesso de precipitação se refletiu em diversos pontos da área urbana. Ruas e avenidas ficaram alagadas, o tráfego sofreu interrupções temporárias e equipes da prefeitura foram mobilizadas para atender ocorrências relacionadas a enxurradas e danos na infraestrutura. Bueiros sobrecarregados, poças extensas e erosões pontuais em vias não pavimentadas estiveram entre os principais problemas relatados pelos serviços municipais.

Com a chuva volumosa concentrada em poucos dias, a cidade foi obrigada a adotar planos emergenciais para liberar vias críticas e garantir o escoamento de água em bairros mais baixos. Segundo a administração municipal, a atuação envolveu desde a desobstrução de bocas de lobo até a sinalização de áreas alagadas para diminuir riscos de acidentes. Apesar do impacto imediato, não houve registro de vítimas, mas moradores relataram prejuízos materiais e dificuldades de deslocamento.

Inverno começa com previsão de tempo seco

O quadro de chuva acima do normal não deve se repetir tão cedo. O inverno começa oficialmente neste sábado, 20 de junho, e a projeção do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) indica um cenário distinto do observado nas últimas semanas. Para os três meses da estação, espera-se predominância de massas de ar seco, temperatura média superior ao padrão histórico e precipitação abaixo do esperado em todo o estado.

Entre julho e agosto, tradicionalmente o bimestre mais seco da região Centro-Oeste, a tendência aponta para períodos prolongados sem chuva. A umidade relativa do ar deve cair com frequência para níveis considerados críticos, principalmente durante as tardes, o que eleva o risco de complicações respiratórias em crianças, idosos e portadores de doenças crônicas. Órgãos de saúde recomendam hidratação constante, uso de soro fisiológico nas vias aéreas e proteção contra exposição prolongada ao sol nos horários de pico.

Ainda que o inverno sul-mato-grossense costume apresentar madrugadas frias, os meteorologistas projetam temperaturas médias acima da média climatológica estadual. A passagem eventual de massas de ar frio poderá provocar quedas acentuadas em curtos intervalos, com possibilidade de geadas isoladas na porção sul do estado. Mesmo nessas situações, o resfriamento deve ser pontual e não há indicação de eventos prolongados de frio intenso.

Período seco amplia risco de incêndios

Com o déficit de chuvas previsto para o trimestre, o risco de queimadas aumenta tanto no meio rural quanto em áreas urbanas de Mato Grosso do Sul. A vegetação ressecada, associada a temperaturas elevadas e baixa umidade, favorece a propagação de focos de incêndio. Autoridades ambientais orientam evitar o uso de fogo para limpeza de terrenos, manejo agrícola ou eliminação de resíduos. Além do impacto sobre a fauna e a flora, a fumaça agrava problemas de saúde, principalmente em populações vulneráveis.

No campo, produtores devem reforçar o monitoramento da umidade do solo, avaliar a necessidade de irrigação de culturas específicas e ajustar o manejo das pastagens. A redução drástica de precipitações pode comprometer a reposição de água em reservatórios e represas utilizados para irrigação e dessedentação de animais. Técnicos recomendam planejamento de alimentação suplementar para rebanhos e uso consciente dos recursos hídricos.

Nas zonas urbanas, além da hidratação adequada, especialistas sugerem manter ambientes internos umidificados, evitar atividades físicas intensas nos horários mais quentes e ficar atento a sinais de irritação ocular ou respiratória. Escolas, hospitais e creches são orientados a adotar medidas preventivas, como disponibilizar bebedouros e incentivar pausas para ingestão de líquidos.

Retorno das chuvas somente na primavera

A projeção do Cemtec indica que a retomada de volumes pluviométricos mais expressivos deve ocorrer apenas na transição para a primavera, entre o fim de setembro e o início de outubro. Até lá, a expectativa é de precipitações esparsas e pouco significativas. A população de Três Lagoas, que enfrentou transtornos com o excesso de água em junho, verá um cenário oposto nos meses seguintes, marcado por céu claro e longos períodos sem chuva.

Embora o contraste entre a forte precipitação de junho e o inverno seco possa parecer brusco, o padrão segue a climatologia típica da região Centro-Oeste, em que episódios isolados de chuva intensa antecedem uma longa fase de estiagem. Meteorologistas destacam a importância de acompanhar os boletins diários e alertas emitidos pelos órgãos oficiais para mitigar impactos, seja no contexto urbano, agrícola ou ambiental.

Com 178 milímetros já registrados até a véspera do início do inverno, junho de 2025 entra para a estatística como um dos meses mais chuvosos da história recente de Três Lagoas. A partir de agora, o desafio se desloca para o gerenciamento dos efeitos do tempo seco, da qualidade do ar e da prevenção de incêndios, pontos que exigem a atenção conjunta de autoridades e moradores durante todo o período frio.

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