O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, afirmou que a administração estadual mantém uma operação contínua para conter a expansão de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Em entrevista, o chefe do Executivo destacou que o conjunto de medidas combina aumento de efetivo, renovação de frota, uso de tecnologia e produção de inteligência com o objetivo de preservar a segurança dos quase três milhões de habitantes do Estado.
Segundo Riedel, a estratégia parte de duas frentes complementares. A primeira concentra-se na presença ostensiva das polícias nas ruas; a segunda, na cooperação entre diferentes órgãos públicos para rastrear e desarticular a estrutura financeira das facções. “Existe uma guerra silenciosa, porém firme”, declarou o governador ao detalhar o plano que envolve corporações estaduais, prefeituras e serviços de inteligência.
Reforço no efetivo
Como parte da ampliação de pessoal, o governo concluiu recentemente o curso de formação de cerca de 400 policiais civis, entre investigadores e escrivães. Esses profissionais serão distribuídos pelas delegacias do Estado, com o propósito de acelerar a apuração de crimes e fortalecer as unidades especializadas no enfrentamento ao crime organizado. Para a gestão estadual, o ingresso dos novos agentes representa incremento direto na capacidade de atendimento à população e maior agilidade nas investigações.
Renovação da frota
Outra ação anunciada é a entrega, prevista para o dia 29, de aproximadamente 500 viaturas a diferentes forças de segurança. O lote inclui veículos destinados a policiamento ostensivo, operações especializadas e apoio logístico. De acordo com o governador, o volume de recursos aplicado na compra dos automóveis configura um dos maiores investimentos já feitos pelo Estado em infraestrutura policial. A distribuição seguirá critérios de demanda regional e tipo de atividade, o que, segundo a administração, deve elevar a capacidade de patrulhamento e resposta rápida a ocorrências.
Integração de inteligência
Embora a presença policial visível seja considerada essencial, Riedel enfatiza que o êxito contra o crime organizado depende principalmente do trabalho de inteligência. A coleta e a análise de dados concentram-se na identificação de negócios aparentemente lícitos usados para lavar dinheiro de atividades ilícitas. Nessa tarefa, atuam em conjunto a Secretaria de Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado e o Ministério Público, além das polícias Civil e Militar.
O rastreamento de movimentações financeiras suspeitas vem sendo apontado como elemento central para enfraquecer as organizações. Ao atacar a base econômica, argumenta o governo, retira-se a principal fonte de financiamento das facções, responsável por remunerar integrantes, adquirir armamentos e manter estruturas de apoio logístico.
Cooperação com municípios
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mantém canais permanentes de comunicação com as prefeituras para definição de ações conjuntas. Prefeitos e secretários municipais, segundo o governador, recebem orientações e compartilham informações que auxiliam na prevenção de delitos e na localização de pontos vulneráveis a influências criminosas. A atuação municipal envolve, por exemplo, fiscalização de estabelecimentos comerciais suspeitos e apoio a operações em zonas rurais.
Uso de tecnologia
O plano estadual ainda prevê investimentos em sistemas de monitoramento por câmeras, softwares de reconhecimento de placas e ampliação das centrais de videomonitoramento. Esses recursos, integrados a bancos de dados nacionais, permitem identificar rotas de transporte de drogas, armas e veículos roubados. O governo aponta que o cruzamento de informações em tempo real eleva o índice de apreensões e prisões.
Resultados esperados
Com a combinação de efetivo maior, frota renovada e inteligência aprimorada, a gestão estadual projeta reduzir a influência de facções em território sul-mato-grossense. O governador sustenta que, embora o Estado se localize em corredor estratégico para o tráfico transnacional de entorpecentes, a atuação integrada tende a dificultar a logística criminosa e aumentar o risco para quem tenta estabelecer bases na região.
Riedel reiterou que a segurança pública permanece entre as prioridades do Orçamento estadual e que novos ciclos de contratação, aquisição de equipamentos e capacitação técnica estão em planejamento. A meta, segundo ele, é manter a capacidade de reação diante da evolução das facções e assegurar que crimes complexos, como lavagem de dinheiro e contrabando, sejam investigados de maneira articulada com órgãos federais.
“Seremos intolerantes com qualquer ação criminosa”, resumiu o governador, ao afirmar que o esforço contra a criminalidade organizada seguirá como ponto permanente da agenda do governo de Mato Grosso do Sul.








