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Quase metade dos jovens de 15 a 29 anos em MS trabalha e está fora da escola, mostra pesquisa do IBGE

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) Educação 2025, divulgada na sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que 42,7% dos sul-mato-grossenses entre 15 e 29 anos estavam ocupados e não frequentavam qualquer curso regular de ensino no período analisado. A proporção coloca Mato Grosso do Sul (MS) na oitava posição entre as 27 unidades da federação com maior número de jovens restritos ao mercado de trabalho.

Distribuição das atividades juvenis

O levantamento apresenta quatro situações principais para a faixa etária de 15 a 29 anos. Além do grupo que trabalha sem estudar, 26% dedicavam-se exclusivamente aos estudos, enquanto 17,9% conciliavam trabalho e estudo. Outros 13,5% não exerciam atividade laboral, não frequentavam a escola nem participavam de cursos de qualificação profissional. Segundo o IBGE, o resultado reflete a entrada precoce de parte da população jovem no mercado, frequentemente em detrimento da continuidade dos estudos.

Analfabetismo permanece baixo, mas cresce entre idosos

Para a população com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo em MS ficou em 3,9%, a 12ª menor do país. Contudo, o índice aumenta significativamente na população idosa: chega a 12,3% entre pessoas com 60 anos ou mais. A diferença sugere avanços recentes no acesso à alfabetização, ainda não suficientes para conter o legado de escolarização limitada de gerações anteriores.

Desigualdade racial persiste

O recorte por cor ou raça evidencia disparidades. Entre pessoas que se declaram brancas, 3,2% são analfabetas. Já entre pretos e pardos, a proporção sobe para 4,4%. A diferença também aparece em outros níveis de ensino, demonstrando que barreiras educacionais afetam mais intensamente grupos historicamente vulneráveis.

Média de anos de estudo

A média estadual de escolaridade alcançou 10,3 anos, a 11ª mais alta do país. Quando analisado por sexo, o índice de escolaridade feminina supera o masculino: mulheres apresentaram média de 10,7 anos de estudo, ante 9,8 anos entre homens. A predominância feminina reflete maior permanência das mulheres na escola após os 15 anos, conforme detalha o instituto.

Ensino superior ganha espaço

No recorte da população com 25 anos ou mais, 23,1% concluíram o ensino superior, resultado que coloca MS na sétima posição entre as unidades federativas. Embora represente avanço na formação de nível terciário, a diferença racial se repete: brasileiros brancos continuam com maior acesso à graduação que pretos e pardos, segundo o estudo.

Papel das gerações recentes

Ao comparar faixas etárias, a PNAD aponta que gerações mais novas têm sido alfabetizadas mais cedo e exibem maior escolaridade média do que os grupos de maior idade. Esse movimento contribui para a redução gradual da taxa de analfabetismo geral, ainda que o indicador permaneça elevado entre idosos.

Resumo dos principais indicadores em MS

• Jovens de 15 a 29 anos somente no trabalho: 42,7% (8º maior percentual nacional).
• Jovens que apenas estudam: 26%.
• Jovens que estudam e trabalham: 17,9%.
• Jovens fora da escola e sem trabalho: 13,5%.
• Taxa de analfabetismo (15 anos ou mais): 3,9%.
• Analfabetismo entre idosos (60 anos ou mais): 12,3%.
• Média de escolaridade total: 10,3 anos (11ª posição).
• Média de escolaridade das mulheres: 10,7 anos.
• Média de escolaridade dos homens: 9,8 anos.
• Conclusão do ensino superior (25 anos ou mais): 23,1% (7ª posição).

Os dados reunidos pelo IBGE reforçam tanto os avanços em indicadores educacionais quanto os desafios colocados pela entrada prematura de jovens no mercado de trabalho, pela desigualdade racial e pela necessidade de reduzir o analfabetismo entre a população idosa em Mato Grosso do Sul.

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