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Perícia contesta suicídio e morte de detento em presídio de Campo Grande passa a ser investigada como homicídio

Um preso de 23 anos foi localizado sem vida na tarde de quarta-feira (24) no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. Apesar de o corpo ter sido encontrado pendurado por uma corda no gradil da área de convivência, a perícia apontou elementos que divergem de um quadro típico de suicídio, e o caso foi registrado como homicídio qualificado.

Encontrado durante o recolhimento

De acordo com o boletim de ocorrência, os agentes penitenciários autorizaram a saída dos internos para o banho de sol por volta das 13h. Duas horas depois, na etapa de retorno às celas, servidores da Galeria A, no Pavilhão 2, identificaram o detento com uma corda em torno do pescoço e fixada ao gradil do espaço comum. O local foi imediatamente isolado para preservar vestígios até a chegada dos especialistas.

Confirmação do óbito

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar foram acionadas e realizaram a avaliação clínica da vítima. O médico militar de plantão constatou o óbito às 16h10. Após a confirmação, os peritos iniciaram a análise do ambiente, da posição do corpo e dos sinais visíveis de lesão.

Incompatibilidades levantam suspeita

Durante o levantamento inicial, peritos criminais observaram marcas no pescoço consideradas incompatíveis com as habitualmente encontradas em suicídios por enforcamento. Segundo o relatório preliminar, a disposição das lesões e a dinâmica aparente da morte não coincidem com os padrões técnicos conhecidos. Esses indícios reforçaram a hipótese de que a cena possa ter sido alterada após a morte, com o objetivo de simular um ato autoinfligido e encobrir eventual ação de terceiros.

Ausência de câmeras atrasa elucidação

Outro fator que dificulta o esclarecimento é a inexistência de equipamentos de videomonitoramento na área onde o detento foi encontrado. A falta de imagens limita a reconstrução precisa dos momentos anteriores ao achado do corpo e pode dificultar a identificação de possíveis envolvidos. A Polícia Civil destacou no boletim que não há câmeras cobrindo o espaço de convivência da Galeria A.

Encaminhamento ao IMOL

Concluída a perícia no local, o corpo foi removido para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL). Exames complementares buscarão determinar causa exata da morte, instrumento utilizado, tempo de óbito e demais circunstâncias que auxiliem a investigação. Os laudos devem detalhar o mecanismo das lesões cervicais e confirmar ou afastar a hipótese de enforcamento por terceiros.

Classificação como homicídio qualificado

A Terceira Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande instaurou inquérito por homicídio qualificado, sob a tipificação de uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. A investigação ouvirá agentes penitenciários, internos que estavam na área no momento do fato e responsáveis pelo setor de segurança do presídio. Informações sobre eventuais conflitos ou ameaças anteriores ao episódio também serão apuradas.

Procedimentos na unidade prisional

O Estabelecimento Penal de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho abriga detentos considerados de alta periculosidade. Rotineiramente, os internos são liberados para banho de sol em horários definidos e acompanhados por servidores da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen). Após o ocorrido, a direção da unidade reforçou protocolos de isolamento de cena e comunicação imediata às autoridades competentes.

Próximos passos da investigação

Até a conclusão do inquérito, a Polícia Civil aguarda os laudos do IMOL e o relatório final da Perícia Criminal para confrontar depoimentos e evidências materiais. Caso sejam confirmadas marcas de violência incompatíveis com suicídio, a investigação avançará na identificação de possíveis autores e motivação para o crime dentro do ambiente prisional. Não foi divulgado, até o momento, se o detento possuía desavenças com outros internos ou se havia registros de ameaça recente.

A Agepen informou que colabora com as autoridades fornecendo dados de movimentação interna, histórico disciplinar do preso e escalas de agentes que atuavam no pavilhão no turno em que ocorreu a morte. As equipes de segurança também revisam procedimentos de revista e monitoramento para prevenir incidentes semelhantes.

O caso segue em apuração, e novas informações dependerão dos resultados periciais e das oitivas programadas pela Polícia Civil.

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