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IBGE projeta safra de 347,4 milhões de toneladas para 2026 e reforça liderança do Centro-Oeste

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve atingir 347,4 milhões de toneladas em 2026, segundo projeção divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume previsto supera em 0,4% o estimado para 2025, indicando acréscimo de cerca de 1,3 milhão de toneladas e manutenção do patamar histórico alcançado na temporada anterior.

O levantamento também aponta expansão da área cultivada. Para 2026, a expectativa é de 83,2 milhões de hectares colhidos, aumento de 1,9% em relação a 2025, equivalente a aproximadamente 1,6 milhão de hectares adicionais. Apesar de representar elevação anual, o total recuou 60.985 hectares na comparação com a estimativa divulgada no mês anterior, variação negativa de 0,1%.

Predominância do Centro-Oeste

O estudo confirma o peso do Centro-Oeste na produção agrícola nacional. A região deve concentrar 172,4 milhões de toneladas, ou 49,6% de toda a safra prevista. Entre os estados, Mato Grosso segue na liderança, respondendo por 31,3% do total brasileiro. Na sequência aparecem Paraná (13,7%), Rio Grande do Sul (10,7%), Goiás (9,7%) e Mato Grosso do Sul (8,4%). Minas Gerais completa o grupo dos seis maiores, com 5,5%. Esses entes federativos somados representam 79,3% da colheita projetada para 2026.

Dentro desse cenário, Mato Grosso do Sul mantém a quinta colocação no ranking nacional, reforçando a importância regional e a posição estratégica do Centro-Oeste, que, na prática, deverá ser responsável por quase uma em cada duas toneladas produzidas no país.

Culturas de maior peso

A soja permanece como principal cultura brasileira. O IBGE estima produção de 174,8 milhões de toneladas do grão em 2026, volume que, sozinho, corresponde a praticamente metade de toda a safra de grãos, leguminosas e oleaginosas. O milho ocupa o segundo lugar, com 136,5 milhões de toneladas previstas. Desse total, 29,7 milhões de toneladas devem ser colhidas na primeira safra, enquanto a segunda safra — a chamada safrinha — tende a alcançar 106,8 milhões de toneladas.

Somados ao arroz, que tem previsão de 11,2 milhões de toneladas, soja e milho respondem por 92,8% da produção total contemplada na pesquisa. Em termos de área, as três culturas ocupam 87,4% dos hectares que deverão ser colhidos em 2026.

Outras culturas mantêm participação relevante. A previsão para o trigo é de 6,6 milhões de toneladas, enquanto o algodão herbáceo em caroço tem produção estimada em 9,1 milhões de toneladas. Para o sorgo, a estimativa é de 5,6 milhões de toneladas.

Distribuição regional

Depois do Centro-Oeste, a Região Sul aparece com 92,4 milhões de toneladas, o que representa 26,5% do total nacional. O Sudeste deve produzir 30,8 milhões de toneladas (8,9%), seguido pelo Nordeste, com 29,8 milhões de toneladas (8,6%). A Região Norte fecha o quadro com 22,2 milhões de toneladas, correspondentes a 6,4% da safra brasileira.

Fatores que influenciam a projeção

O leve aumento previsto para 2026 reflete principalmente a expansão da área plantada, já que a produtividade média permanece próxima ao patamar de 2025. O resultado final, contudo, ainda depende do comportamento climático, das condições de solo e do manejo das lavouras ao longo do ciclo agrícola. Eventos como excesso ou ausência de chuvas, ocorrência de pragas e variações de temperatura podem alterar o rendimento das culturas.

As estimativas do IBGE são atualizadas regularmente e podem sofrer ajustes conforme avançam o plantio, o desenvolvimento das lavouras e a coleta de dados estaduais. O acompanhamento contínuo permite revisar números de produção e área à medida que novas informações se consolidam.

Mesmo com possível volatilidade, a projeção atual indica que o Brasil deverá manter produção próxima ao recorde observado no ciclo anterior, reforçando a posição do país como um dos principais fornecedores globais de grãos. A participação expressiva da soja e do milho, somada ao desempenho consistente de outras culturas, consolida o agronegócio como segmento estratégico para a economia nacional e para as cadeias de abastecimento internas e externas.