Agentes da Polícia Penal impediram, na noite de quarta-feira (15), que um drone fosse utilizado para transportar celulares, carregadores e diversos materiais ilícitos ao interior da Penitenciária Estadual de Dourados (PED), em Mato Grosso do Sul. A ação começou quando um policial penal que atuava na torre de vigilância identificou a movimentação da aeronave nas proximidades da unidade prisional.
Ao perceber o sobrevoo, o servidor comunicou a ocorrência às equipes que faziam rondas na parte externa do complexo. Imediatamente, os policiais se deslocaram para a área de onde o equipamento era controlado. A aproximação da viatura levou o operador do drone a fugir, abandonando o material que seria utilizado no lançamento.
Durante a averiguação, os agentes localizaram uma mochila deixada pelo suspeito. No mesmo ponto foram recolhidos o drone, quinze baterias e um telefone celular. Todo o conjunto foi apreendido e encaminhado para os procedimentos cabíveis dentro da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen).
No interior da mochila havia 152 invólucros vazios destinados ao acondicionamento de objetos, 14 carregadores de telefone, quatro chips de operadoras, sete fones de ouvido, cinco películas para proteção de tela, 12 tesouras, dois cigarros eletrônicos e pacotes de tabaco. Também foram encontrados isqueiros, um kit para preparo de substâncias entorpecentes, dois dichavadores, tubos transparentes, cumbucas de silicone e fontes de alimentação diversas.
Segundo a Polícia Penal, todos os itens apreendidos poderiam viabilizar comunicação não autorizada entre detentos e pessoas fora da penitenciária, além de facilitar o consumo de produtos proibidos dentro das celas. A possibilidade de utilização de chips de telefonia, carregadores e baterias extras aumentaria a autonomia dos aparelhos móveis, tornando mais difícil a detecção de ligações clandestinas.
O telefone celular recolhido no local será submetido a análise técnica. A expectativa é que dados armazenados no aparelho, como registros de chamadas, mensagens e aplicativos de controle do drone, auxiliem na identificação do operador e de eventuais colaboradores que participaram da tentativa de abastecimento da unidade prisional.
A Agepen informou que o material apreendido permanecerá sob custódia até a conclusão dos trâmites legais, incluindo a elaboração do boletim de ocorrência e a comunicação ao Poder Judiciário. A polícia não divulgou pistas sobre o paradeiro do suspeito, que conseguiu escapar antes da chegada da guarnição.
Esta não foi a primeira vez que a PED registrou tentativa de introdução de objetos ilícitos por meio de aeronaves remotas. Embora episódios semelhantes não tenham sido detalhados nesta ocorrência, a administração penitenciária destaca que mantém vigilância constante a partir de torres de observação, câmeras e patrulhamento externo para coibir ações do tipo.

Imagem: Divulgação Agepen
Com a apreensão realizada na quarta-feira, a Polícia Penal reforçou as orientações de serviço nas imediações do presídio, priorizando a identificação visual e auditiva de drones, especialmente durante o período noturno, quando a visibilidade reduzida costuma favorecer tentativas de arremesso de materiais sobre a muralha.
Os agentes também recolheram registros fotográficos e de vídeo da ocorrência, adotando procedimentos padronizados para preservar provas e subsidiar eventuais inquéritos. Todas as informações foram repassadas às autoridades responsáveis pela investigação, que deverão apurar a autoria e a participação de terceiros no planejamento do lançamento.
Até o momento, não há confirmação de que o material apreendido tenha relação com facções internas ou externas à penitenciária. A Agepen informou apenas que, caso o envolvimento de pessoas privadas de liberdade seja comprovado, serão aplicadas as medidas disciplinares previstas na legislação de execução penal, além do encaminhamento dos fatos ao Ministério Público para responsabilização criminal.
A Penitenciária Estadual de Dourados possui regime de segurança que inclui revistas periódicas de visitantes, monitoramento eletrônico e inspeções em depósitos e áreas de serviço. Mesmo assim, a interceptação de objetos arremessados ou transportados por drones continua a exigir resposta rápida das equipes de segurança, como ocorreu no episódio desta quarta-feira.
Ao final da operação, todo o material foi catalogado e armazenado em local seguro. A Polícia Penal ressaltou que permanecerá em estado de atenção permanente para impedir novas tentativas de envio de objetos proibidos ao estabelecimento penal.







