Um incêndio iniciado por volta das 9h de quinta-feira, 16, destruiu um salão de beleza na rua João Silva, bairro Santo André, em Três Lagoas (MS), e chegou a colocar em risco a residência anexa pertencente à mesma proprietária. A ocorrência foi registrada como incêndio criminoso e está sob investigação da 1.ª Delegacia de Polícia Civil.
Chamas começaram após discussão
De acordo com o boletim da Polícia Militar, o fogo teve início logo depois de uma discussão envolvendo a inquilina do salão — que trabalha como manicure — e usuários de drogas que frequentavam a região. Nas últimas semanas, segundo relato da dona do imóvel, os desentendimentos entre a profissional e essas pessoas vinham se repetindo com frequência, situação que aumenta a suspeita de ato intencional.
Na manhã do incidente, testemunhas relataram ter ouvido gritos no interior do salão e, em seguida, viram fumaça saindo pelas janelas. Ao perceber o perigo, vizinhos acionaram o Corpo de Bombeiros, que deslocou uma equipe para combater as chamas.
Bombeiros controlam fogo e chamam a PM
Quando os bombeiros chegaram, encontraram parte da fachada do estabelecimento em chamas e identificaram o risco iminente de o incêndio atingir a casa onde reside a proprietária, uma idosa. Enquanto trabalhavam para conter o avanço do fogo, os militares notaram pessoas discutindo do lado de fora e pediram apoio da Polícia Militar. Uma viatura de Rádio Patrulha foi enviada ao endereço para preservar a cena e apurar as circunstâncias.
Graças à rápida intervenção dos bombeiros, as labaredas foram contidas antes que se espalhassem para a residência principal e para uma quitinete nos fundos, onde mora outro inquilino. Mesmo assim, a estrutura do salão ficou comprometida, e diversos equipamentos e mobiliários foram destruídos. Não houve registro de feridos.
Proprietária ficou presa no imóvel
A dona do conjunto de imóveis relatou aos policiais que, no momento em que percebeu a fumaça, tentou sair para a rua, mas encontrou o portão da frente trancado com cadeado. O bloqueio aumentou o desespero, pois as chamas avançavam rapidamente. O inquilino da quitinete, ao notar a situação, arrombou o cadeado e conseguiu libertar a idosa, evitando que ela ficasse encurralada.
Segundo o depoimento, a proprietária alugava a parte da frente do terreno para a manicure, mantinha sua residência anexada ao salão e destinava a área dos fundos a um segundo locatário. Até o dia do incêndio, nenhum problema estrutural havia sido registrado no prédio.
Suspeitos não foram encontrados
A Polícia Militar realizou buscas nas imediações, mas não localizou a inquilina do salão nem os usuários de drogas que teriam participado da briga momentos antes do incêndio. O caso foi classificado preliminarmente como incêndio doloso, e testemunhas devem ser ouvidas pela Polícia Civil para esclarecer se o fogo foi provocado durante a confusão ou se algum responsável o iniciou deliberadamente depois do confronto.

Imagem: Divulgação
Peritos deverão avaliar a extensão dos danos, estimar o prejuízo financeiro e identificar a origem exata das chamas. O laudo técnico servirá de base para definir eventuais responsabilidades criminais.
Danos e prevenção
Embora o trabalho dos bombeiros tenha evitado uma tragédia maior, a área afetada precisará de obras de recuperação. Parte do telhado cedeu, as instalações elétricas foram comprometidas e produtos de uso profissional ficaram carbonizados. A residência da idosa sofreu leve dano por calor e fuligem, mas permanece habitável.
Após o incidente, o Corpo de Bombeiros reforçou orientações de segurança à proprietária e aos vizinhos, destacando a importância de rotas de fuga desobstruídas, manutenção de extintores e inspeções periódicas em instalações elétricas, especialmente em imóveis que reúnem atividades comerciais e moradia.
A investigação prosseguirá nos próximos dias. Até que a autoria e a motivação sejam confirmadas, a Polícia Civil mantém a hipótese de crime doloso relacionado à sequência de desentendimentos entre a manicure e frequentadores usuários de entorpecentes.
Enquanto isso, a proprietária estuda providências para reconstruir o salão ou disponibilizar o espaço para outro tipo de locação, dependendo do resultado dos laudos técnicos e do andamento do inquérito policial.







