O volume de indícios de fraudes financeiras no Brasil apresentou alta de 10,26% entre janeiro e junho de 2026, alcançando mais de 9 milhões de registros em todo o país. O dado faz parte de um levantamento da Quod, empresa de inteligência de dados para o mercado de crédito, que analisou informações do Registro Unificado de Fraudes (Rufra).
Monitoramento mais rigoroso influencia crescimento
De acordo com a Quod, o avanço não indica, necessariamente, que os golpistas atuaram mais nesse intervalo. Parte do aumento é atribuída ao reforço no monitoramento do sistema financeiro após a entrada em vigor da Resolução 501 do Banco Central. A norma ampliou o compartilhamento de dados entre instituições, permitindo identificar tentativas de fraude que, anteriormente, podiam permanecer fora das estatísticas oficiais. Com a integração dos sistemas, casos até então dispersos passaram a ser consolidados no banco de dados do Rufra, elevando o total de registros.
Celular concentra maior parte das ocorrências
O estudo aponta o telefone celular como principal vetor para a ação dos criminosos. Dos indícios de fraude catalogados, 78% tiveram origem em dispositivos móveis. Contas correntes estiveram presentes em 94% dos episódios, enquanto o Pix apareceu em 85% dos casos, confirmando a relevância dos meios de pagamento instantâneo no cenário de golpes e tentativas de fraude.
Engenharia social responde por 40% dos golpes
A prática de engenharia social, na qual o fraudador manipula psicologicamente a vítima para obter dados ou induzir transferências, foi responsável por 40% das ocorrências apuradas. Esse tipo de ação costuma envolver ligações, mensagens ou abordagens em aplicativos de comunicação que simulam contatos de bancos, empresas ou até familiares, persuadindo o usuário a fornecer senhas, códigos de verificação ou executar transações.
Perfil das vítimas
Entre janeiro e junho, cerca de 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes confirmadas. Dentro desse universo, 799 mil indivíduos sofreram golpes duas ou mais vezes no mesmo semestre. A maioria das vítimas tem idade entre 18 e 34 anos, faixa etária que concentra maior familiaridade com serviços digitais e, consequentemente, maior exposição a operações bancárias via aplicativo. Em relação à renda, 58% recebem até dois salários mínimos, indicando que crimes financeiros não se limitam a perfis de alto poder aquisitivo.
Principais modalidades detectadas
Além da engenharia social, o relatório destaca fraudes relacionadas a abertura de contas com documentos falsificados, uso indevido de dados pessoais para contratação de serviços de crédito e tentativas de invasão de contas por interceptação de tokens ou clonagem de cartões SIM. Embora representem percentuais menores quando comparados à manipulação psicológica, esses métodos continuam presentes e exigem vigilância constante das instituições.

Imagem: Divulgação
Impacto regional e setorial
O levantamento reúne dados de todas as regiões do país, mas não detalha a distribuição geográfica dos registros. Instituições de grande porte, fintechs e bancos digitais são contemplados pela Resolução 501, o que amplia o alcance do monitoramento sobre diversos segmentos do sistema financeiro. A consolidação dos números no Rufra oferece uma visão mais ampla do fenômeno, permitindo que reguladores e empresas ajustem políticas de prevenção.
Orientações de segurança
Especialistas consultados para a elaboração do relatório recomendam cautela redobrada em transações realizadas por celular. Entre as medidas sugeridas estão:
- verificar a autenticidade de mensagens que solicitam dados pessoais ou códigos de segurança;
- evitar clicar em links recebidos por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem sem confirmar a origem;
- desconfiar de pedidos urgentes de transferência de valores, mesmo quando supostamente vindos de conhecidos;
- não emprestar contas bancárias para receber ou movimentar recursos de terceiros.
Contexto regulatório
A Resolução 501 integra um conjunto de medidas do Banco Central voltadas a fortalecer o ecossistema de segurança financeira. Com o avanço das transações digitais e o crescimento do Pix, a autarquia busca aumentar a cooperação entre instituições para identificar padrões suspeitos de modo mais célere. O compartilhamento obrigatório de informações sobre indícios de fraudes é apontado pela Quod como fator-chave para a elevação dos números no primeiro semestre de 2026.
Para os próximos meses, a expectativa é de que a consolidação dos dados permita ações preventivas mais eficazes. O Banco Central e entidades do setor devem avaliar novos ajustes regulatórios, caso os indicadores sigam em trajetória de alta. Enquanto isso, clientes e instituições continuam orientados a manter protocolos de verificação, autenticação em múltiplos fatores e atualização constante de sistemas de segurança.








