O avanço das doenças respiratórias em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, levou a Secretaria Municipal de Saúde a divulgar um boletim epidemiológico que confirma aumento nas mortes e nas internações por síndromes gripais em 2026. Segundo os dados, sete moradores morreram por complicações relacionadas a infecções respiratórias neste ano, dois a mais que no mesmo período de 2025, quando foram registrados cinco óbitos.
O levantamento também indica 179 internações motivadas por quadros respiratórios até o momento. A maior parte dos pacientes internados pertence à faixa etária de um a quatro anos, responsável por 64 hospitalizações. Em seguida aparecem crianças de cinco a nove anos, com 32 registros, e idosos a partir de 60 anos, que somam 22 ocorrências. As demais internações concentram-se em pessoas com mais de 70 anos, grupo que tradicionalmente apresenta maior vulnerabilidade a complicações decorrentes de vírus sazonais.
Perfil das vítimas fatais
Entre as sete mortes confirmadas, quatro são de mulheres e três de homens, com idades entre 50 e 82 anos. O boletim não detalha comorbidades específicas, mas aponta que a maioria dos óbitos ocorreu entre pessoas que pertenciam a grupos de risco reconhecidos, como portadores de doenças crônicas e idosos.
Circulação simultânea de vírus
A Vigilância Epidemiológica municipal identifica a presença concomitante de três agentes principais: Influenza A, Influenza B e Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A coexistência desses patógenos em um mesmo período aumenta o potencial de disseminação e agrava o impacto entre populações mais suscetíveis, especialmente crianças pequenas, idosos e indivíduos com condições de saúde preexistentes.
De acordo com a coordenação da área, a meta é reduzir a circulação viral por meio da identificação precoce dos casos, da adoção de medidas de proteção individual e da intensificação da cobertura vacinal. Embora a vacina contra a influenza não ofereça proteção contra todos os vírus respiratórios em circulação, ela diminui a frequência de casos graves e, consequentemente, o número de hospitalizações e mortes.
Recomendações à população
O boletim ressalta orientações que visam conter a propagação dos vírus e proteger os grupos de maior risco. Pessoas com sintomas gripais — como febre, tosse, coriza ou dor de garganta — devem evitar visitas a idosos, crianças de pouca idade e pacientes com doenças crônicas até que não apresentem mais sinais de infecção.
Além disso, a Secretaria de Saúde reforça a importância de observar sinais de agravamento, entre eles febre alta persistente, falta de ar, dificuldade para respirar, cansaço extremo e piora do estado geral. A recomendação é buscar atendimento médico imediato tão logo esses sintomas se manifestem, pois o diagnóstico e a intervenção precoces reduzem a probabilidade de complicações severas, necessidade de internação e óbito.

Imagem: Divulgação
Vacinação e medidas preventivas
A imunização contra a influenza continua disponível na rede municipal de saúde. A pasta solicita que moradores verifiquem o cartão vacinal e regularizem eventuais pendências, sobretudo integrantes dos grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde: crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde, idosos, professores, portadores de comorbidades e pessoas com deficiência permanente.
Além da vacinação, medidas simples de prevenção permanecem eficazes no controle das síndromes gripais:
- Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel com frequência;
- Cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, preferencialmente com o antebraço ou lenço descartável;
- Manter ambientes ventilados, com renovação de ar;
- Evitar aglomerações e contato próximo quando apresentar sintomas respiratórios.
No caso de agravamento, a orientação é procurar a unidade básica de saúde mais próxima ou o pronto-atendimento, levando um documento de identificação e, quando disponível, o comprovante de vacinação. A rede municipal informa dispor de insumos, testes e medicamentos de suporte para atendimento oportuno dos pacientes.
Monitoramento contínuo
A Secretaria Municipal de Saúde afirma que o monitoramento dos indicadores epidemiológicos é diário e que ações de prevenção, orientação e assistência serão mantidas durante todo o período de maior circulação viral. Os dados, segundo a pasta, são repassados ao Governo do Estado e ao Ministério da Saúde para integrar os sistemas oficiais de vigilância.
Enquanto isso, a população é encorajada a seguir as recomendações de prevenção e a atualizar a situação vacinal, medidas consideradas essenciais para atenuar o impacto das síndromes gripais sobre o sistema de saúde e sobre os cidadãos mais vulneráveis.







