A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos para uma série de produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho, terá repercussão limitada no agronegócio de Mato Grosso do Sul. A carne bovina, principal item embarcado pelo Estado para o mercado norte-americano, foi incluída na lista de exceções, poupando o segmento de custos extras e garantindo a continuidade dos embarques sem alterações fiscais.
Além da proteína bovina, outros itens relevantes na pauta sul-mato-grossense, como tilápia, produtos de madeira e couros, também permaneceram isentos. A decisão foi considerada positiva por entidades representativas do setor, que temiam um cenário mais desfavorável quando a proposta de sobretaxa foi divulgada, meses atrás, durante as consultas públicas conduzidas pelo governo norte-americano.
A exposição direta de Mato Grosso do Sul ao mercado dos Estados Unidos já era relativamente baixa. Segundo dados acompanhados pela Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apenas 5% do valor total exportado pelo agronegócio estadual têm como destino o território norte-americano. Em contraste, a China permanece como principal parceira comercial, absorvendo 52,2% das vendas externas do setor. Com a manutenção dos incentivos para os itens-chave, o risco de retração imediata nas receitas estaduais foi praticamente neutralizado.
Em âmbito nacional, a conformação final do pacote tarifário preservou 63,5% do montante comercializado pelo agronegócio brasileiro com os Estados Unidos. Estimativas apontam que as compras norte-americanas de produtos agrícolas do Brasil somem cerca de US$ 12 bilhões ao longo de 2025, consolidando o país como segundo maior destino das exportações do setor. A exclusão de itens estratégicos da lista de sobretaxas, portanto, sinaliza que ainda haverá espaço para crescimento em segmentos que mantiveram competitividade.
A relação de mercadorias dispensadas do acréscimo de 25% inclui, além da carne bovina e dos produtos específicos de Mato Grosso do Sul, café em grão e solúvel sem adição de sabor, suco e frutas de laranja, cacau, mel orgânico, determinadas espécies de pescado e especiarias. Na outra ponta, artigos como açúcar, etanol, carne suína e alguns bens industrializados derivados não obtiveram o mesmo tratamento e passarão a ser taxados pela nova alíquota, o que pode redesenhar fluxos comerciais nesses segmentos.
Para analistas do setor, a amplitude das isenções reflete a pressão exercida por importadores e indústrias dos próprios Estados Unidos. Durante as audiências públicas realizadas pelo Departamento de Comércio norte-americano, companhias locais defenderam a continuidade da compra de matérias-primas brasileiras, argumentando que a elevação de custos poderia encarecer cadeias produtivas internas e, por consequência, os preços ao consumidor final. Essa mobilização contribuiu para que commodities consideradas essenciais fossem retiradas do escopo da tarifa.

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Mesmo com o resultado favorável, as lideranças rurais de Mato Grosso do Sul permanecem em estado de atenção. A Famasul informa que o monitoramento das diretrizes comerciais da Casa Branca será permanente, na expectativa de possíveis revisões da lista de produtos isentos. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil adota postura semelhante, reforçando a necessidade de acompanhar eventuais desdobramentos que possam alterar a previsibilidade das exportações.
Do ponto de vista econômico, a combinação de baixa dependência do mercado norte-americano e manutenção do acesso preferencial para itens-chave fortalece a resiliência da balança comercial sul-mato-grossense. Embora não se descarte a possibilidade de ajustes futuros, o cenário atual afasta o risco de perdas significativas de receita para frigoríficos, piscicultores, madeireiras e curtumes instalados no Estado. A avaliação predominante é de que, no curto prazo, os incentivos existentes seguem suficientes para sustentar a competitividade desses segmentos.
A tarifa passa a valer oficialmente em 22 de julho. Até lá, exportadores mantêm o cronograma de embarques sem modificações logísticas, enquanto dialogam com compradores internacionais para confirmar cláusulas contratuais após a data de implantação. Caso novas alterações sejam propostas pelo governo dos Estados Unidos, o setor produtivo pretende atuar, novamente, junto aos canais diplomáticos e técnicos para defender a permanência dos produtos sul-mato-grossenses no rol de exceções que hoje assegura a viabilidade de suas operações externas.








