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Indústria de máquinas descarta retaliação aos EUA e pede pacote emergencial de crédito e tributos

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) rejeitou a adoção de medidas de retaliação tarifária contra os Estados Unidos e defendeu a solução diplomática para a sobretaxa de 25% que passa a incidir, a partir desta quarta-feira (22), sobre diversos produtos brasileiros. A posição foi apresentada em reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e integrantes da equipe econômica do governo federal.

A sobretaxa norte-americana atinge maquinário agrícola, vestuário, calçados, etanol e outros itens, encarecendo o acesso de empresas brasileiras a um mercado que, no caso do setor de bens de capital mecânicos, responde por aproximadamente US$ 4 bilhões em vendas anuais. Para a Abimaq, responder com tarifas equivalentes não resolveria o impasse e poderia aprofundar as dificuldades das indústrias locais, que enfrentam custos logísticos, cambiais e tributários mais elevados do que os dos principais concorrentes internacionais.

Sugestões encaminhadas ao governo

Para mitigar o impacto imediato da medida norte-americana, a entidade apresentou ao governo um plano dividido em duas frentes: alívio fiscal e revisão das condições de financiamento. Segundo a Abimaq, as solicitações se destinam a preservar a competitividade externa das empresas enquanto se buscam entendimentos diplomáticos com Washington.

No campo tributário, três pontos concentram as atenções do setor:

  • Suspensão temporária de tributos federais – pedido de adiamento do recolhimento de Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS/Cofins e contribuição previdenciária patronal, a fim de reforçar o fluxo de caixa das companhias exportadoras;
  • Reativação do Reintegra – retorno do mecanismo que devolve créditos tributários acumulados na cadeia de exportação;
  • Prorrogação do Drawback – extensão dos prazos do regime especial que isenta insumos importados, compensando a postergação de entregas solicitadas por compradores norte-americanos.

Na área de crédito, a Abimaq propôs alterações no programa federal Brasil Soberano. A indústria pleiteia a redução das taxas atualmente situadas entre 15% e 17% ao ano, a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e maior flexibilidade nas exigências de garantias. De acordo com a entidade, condições de financiamento menos onerosas são essenciais para sustentar investimentos em inovação e ampliar a presença em mercados alternativos.

Desempenho das exportações

Apesar do obstáculo criado pela tarifa norte-americana, as fabricantes brasileiras de máquinas e equipamentos registraram crescimento de 12% a 13% nas exportações acumuladas nos últimos 12 meses. A projeção da Abimaq é encerrar o ano com receita superior a US$ 14,5 bilhões em vendas externas, resultado que, se confirmado, representará novo recorde para o segmento.

Segundo a associação, o avanço recente foi favorecido pela diversificação de destinos, com maior participação de países da América do Sul, Europa e Ásia. Esse redirecionamento, no entanto, não compensa integralmente a perda de margem no mercado norte-americano, onde a tarifa entra em vigor em momento de recuperação dos investimentos em agricultura de precisão e renovação de parques industriais.

Próximos passos do Executivo

O governo federal comprometeu-se a analisar as propostas apresentadas pela Abimaq e a responder após concluir reuniões com outros ramos industriais afetados pela medida dos Estados Unidos, entre eles vestuário, calçados e produtores de etanol. Técnicos dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores avaliam cenários fiscais e orçamentários para eventual adoção de incentivos.

Enquanto aguarda manifestação oficial, a Abimaq continuará a articular soluções setoriais junto a compradores norte-americanos e a autoridades comerciais dos dois países. A entidade sustenta que a combinação de diálogo diplomático e instrumentos de apoio interno é a via mais adequada para preservar empregos, manter o cronograma de investimentos e evitar perdas adicionais de mercado.

A sobretaxa imposta pelos Estados Unidos adiciona-se a um contexto internacional competitivo em que fabricantes brasileiros disputam espaço com grandes produtores da Europa, da Ásia e da própria América do Norte. Para a indústria de máquinas e equipamentos, a resposta governamental em termos de crédito e política tributária será determinante para que o setor mantenha o ritmo de expansão das exportações e alcance a meta de receita recorde estimada para 2024.

Até a definição de eventuais medidas de apoio, empresas seguem monitorando o custo final dos embarques aos Estados Unidos, avaliando renegociações contratuais e buscando ampliar a participação em feiras e missões comerciais em outros continentes.