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Sanesul garante potabilidade da água em Dourados após alerta sobre agrotóxicos

A Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) reafirmou que a água distribuída em Dourados atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde e pode ser consumida pela população sem restrições. A manifestação foi motivada por recomendação do Ministério Público Federal (MPF) que orienta a concessionária a tornar mais detalhadas, nas faturas mensais e nos relatórios anuais, as informações sobre possíveis riscos de contaminação e os resultados das análises realizadas no Rio Dourados.

O MPF expediu a recomendação após receber dados da Embrapa Agropecuária Oeste que apontam presença de resíduos de agrotóxicos na água bruta do principal manancial que abastece o município. Segundo o levantamento, o herbicida atrazina foi identificado em 532 das 630 amostras coletadas até abril de 2026. O órgão de controle entendeu que, diante do índice de detecções, consumidores precisam ter acesso facilitado aos valores medidos e aos parâmetros de segurança aplicados ao tratamento.

De acordo com a Sanesul, os resultados apresentados pela Embrapa referem-se exclusivamente à água antes de passar pelo processo de tratamento. A empresa informa que, após a captação, a água é submetida a etapas de coagulação, decantação, filtração e desinfecção, entre outros procedimentos, que reduzem a concentração de substâncias químicas a níveis inferiores ao Valor Máximo Permitido (VMP) definido pela Portaria nº 888, de 4 de maio de 2021, do Ministério da Saúde.

A mesma portaria determina que o monitoramento da água bruta seja realizado, no mínimo, uma vez por semestre. A concessionária afirma cumprir rotina mais rigorosa, com análises mensais de parâmetros físico-químicos e microbiológicos no Rio Dourados. Esses resultados, segundo a empresa, vêm sendo enviados à Vigilância Sanitária Municipal e disponibilizados ao público nas contas de água, prática que será mantida com ajustes para evidenciar eventuais valores acima dos limites legais, conforme solicitação do MPF.

O diretor Comercial e de Operações da Sanesul, Madson Valente, informa que aproximadamente 50% do abastecimento urbano provém do Rio Dourados, enquanto a outra metade é retirada de fontes subterrâneas. Entre os aquíferos utilizados está o Guarani, além de poços de menor profundidade distribuídos em diferentes bairros. Essa divisão resulta em redes de distribuição distintas: regiões como Parque Alvorada e Novo Horizonte recebem predominantemente água de superfície, ao passo que a zona oeste é atendida, em maior parte, por poços.

A empresa reconhece que o entorno do Rio Dourados abriga atividades agrícolas, pecuárias e industriais, o que eleva o potencial de lançamento de resíduos químicos e orgânicos no curso d’água. Apesar disso, sustenta que o sistema de tratamento mantém a qualidade final dentro dos padrões exigidos. Como parte das medidas preventivas, a concessionária afirma monitorar não só a atrazina, mas também outros herbicidas, inseticidas e fungicidas contemplados na legislação federal.

Na recomendação, o MPF destaca que as informações veiculadas atualmente nas faturas podem gerar interpretações contraditórias, uma vez que nem sempre deixam claro se os resultados se referem à água bruta ou tratada. O órgão estabeleceu prazo para adequações, determinando que qualquer ocorrência fora do padrão seja evidenciada em destaque e acompanhada de orientações de saúde pública, incluindo possibilidades de uso e medidas adicionais de segurança, quando necessárias.

A Sanesul informou que vai aprimorar a comunicação com os consumidores para atender à recomendação, sem alterar o cronograma rotineiro de coleta e análise. A concessionária pretende incluir, a partir dos próximos ciclos de faturamento, tabelas comparativas que mostrem os limites máximos permitidos e os valores encontrados em cada amostra, diferenciando claramente a água do rio daquela que chega às residências.

Além do monitoramento realizado pela própria empresa, a Vigilância Sanitária municipal realiza inspeções periódicas nas estações de tratamento e nos pontos de distribuição, coletando amostras independentes. Esses laudos complementam o controle interno e compõem o Relatório Anual de Qualidade da Água, documento público que deve ser disponibilizado ao consumidor até o mês de março do ano subsequente, conforme normativas federais.

O MPF acompanha a situação do Rio Dourados desde 2022, quando estudos acadêmicos indicaram elevação de compostos químicos associados ao uso de defensivos agrícolas. A partir de então, o órgão intensificou a cobrança por transparência nos municípios da bacia, incluindo Dourados, que concentra a segunda maior população do estado. Caso não sejam atendidas as orientações, a legislação prevê abertura de inquérito civil e eventual ajuizamento de ação para garantir a divulgação ampla e irrestrita dos dados de potabilidade.

Por enquanto, a Sanesul mantém a posição de que o sistema de tratamento é suficiente para garantir a segurança hídrica da cidade. A concessionária reforça que nenhuma das amostras de água distribuída à população apresentou, até o momento, concentrações superiores aos limites normativos. O diálogo com o MPF prossegue para definir o formato final das informações que passarão a constar nas contas e nos relatórios públicos.