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Campo Grande será a primeira capital de grande porte a adotar integralmente o e-SUS Regulação

O Ministério da Saúde definiu Campo Grande como a primeira cidade brasileira de grande porte a adotar de forma completa o e-SUS Regulação, sistema nacional projetado para oferecer transparência às filas do Sistema Único de Saúde (SUS). A plataforma concentrará em um único ambiente digital informações sobre pedidos de consultas, exames e procedimentos especializados, substituindo gradualmente programas mais antigos, como o Sisreg, utilizado há cerca de duas décadas.

A escolha da capital sul-mato-grossense foi acompanhada por um ciclo de capacitação direcionado a aproximadamente 120 profissionais das Centrais de Regulação de 64 municípios de Mato Grosso do Sul. O treinamento ocorreu em Campo Grande e foi concluído na quinta-feira, 23, preparando as equipes para a transição ao novo sistema em todo o estado.

Segundo o cronograma apresentado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a migração das bases de dados deve ocorrer entre outubro e novembro deste ano. O objetivo é assegurar que o processo ocorra sem interrupções no atendimento aos usuários e que as equipes locais dominem as novas funcionalidades antes da desativação definitiva do Sisreg.

Integração de dados e gestão centralizada

O e-SUS Regulação integra o portfólio de soluções de tecnologia em saúde do Ministério da Saúde e foi desenvolvido para unificar informações hoje dispersas em diferentes plataformas. A interoperabilidade permitirá que gestores de todos os níveis tenham acesso a relatórios consolidados sobre a demanda por serviços, reduzindo falhas de comunicação entre unidades e possibilitando decisões mais precisas sobre oferta, agendamento e distribuição de recursos.

Na prática, o sistema passará a concentrar solicitações de primeira consulta, retornos, procedimentos cirúrgicos e exames de média e alta complexidade. Usuários poderão acompanhar o andamento dos pedidos e visualizar a posição na fila, medida que, de acordo com o Ministério, amplia a transparência e contribui para a redução de desigualdades no acesso.

Campo Grande como referência em inovação

A capital de Mato Grosso do Sul tem sido apontada como município piloto em iniciativas de modernização da saúde pública. Antes da implantação do e-SUS Regulação, a cidade já havia implementado o e-SUS Assistência Farmacêutica, que informatizou processos de dispensação de medicamentos. Para o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, a nova designação confirma a capacidade técnica da rede local em adotar soluções desenvolvidas pelo governo federal e compartilhá-las com outras administrações municipais.

O gerente de Regulação Ambulatorial da Sesau, Daniel Kiozo Saito, ressaltou que a prioridade é garantir segurança na migração dos dados. De acordo com ele, a transição inclui testes de integridade das informações, validação de perfis de acesso e adequação da infraestrutura tecnológica. Somente após essas etapas o antigo sistema será desligado.

Capacitação regional

Durante a semana de treinamento, técnicos do Ministério da Saúde apresentaram as principais funcionalidades do e-SUS Regulação, abordando desde o cadastramento de pedidos e a classificação de prioridades até a emissão de relatórios gerenciais. Participantes de municípios como Camapuã, Corguinho e Dourados relataram que a familiaridade prévia com sistemas eletrônicos facilita a curva de aprendizagem, mas destacaram que a nova ferramenta oferece interface mais intuitiva e acesso rápido a informações consolidadas.

As sessões também incluíram exercícios práticos de migração de dados fictícios, configuração de perfis de usuário e simulações de atendimentos. Ao final, cada equipe recebeu um plano de ação para replicar o conteúdo da capacitação em suas unidades de origem, assegurando que profissionais de regulação, médicos solicitantes e gestores compreendam as mudanças antes da entrada em produção.

Impactos esperados para pacientes e gestores

Com a adoção do e-SUS Regulação, a expectativa é reduzir o tempo de espera para procedimentos especializados ao eliminar redundâncias e permitir redistribuição ágil de vagas ociosas. Para o Ministério da Saúde, a consolidação de dados em nível nacional proporcionará panorama mais fiel das necessidades regionais, viabilizando políticas de alocação de recursos e abertura de novos serviços conforme a demanda.

No âmbito local, a Sesau avalia que a ferramenta favorecerá o planejamento das consultas de atenção primária, pois as equipes poderão visualizar em tempo real o fluxo de solicitações e identificar gargalos. Além disso, os pacientes terão acesso a informações atualizadas sobre sua posição na fila, reduzindo deslocamentos desnecessários para verificação de status.

Com a conclusão do treinamento e a definição do cronograma de migração, Campo Grande deve iniciar a fase de testes do sistema ainda no primeiro semestre. A experiência na capital servirá como referência para outras cidades brasileiras, que deverão seguir o mesmo modelo de capacitação e implantação gradativa até a integração nacional completa do e-SUS Regulação.