O encerramento da escala 6×1, que diminui a carga horária dos trabalhadores, não altera a magnitude dos passivos trabalhistas, que continuam elevados em todo o país.
De acordo com o Ministério da Previdência Social, os afastamentos por burnout aumentaram 493% entre 2021 e 2024. Esse aumento reflete-se no Judiciário, onde o Tribunal Superior do Trabalho registra mais de 158 mil ações trabalhistas ativas, destacando-se 57.029 processos por horas extras, 53.416 por adicional de insalubridade e 47.775 por intervalo intrajornada.
Especialistas apontam que o principal obstáculo nas demandas não é a extensão da jornada, mas a comprovação de que a empresa cumpriu suas obrigações. Em processos trabalhistas, a empresa deve apresentar documentação consistente que evidencie o cumprimento das normas, independentemente da redução da jornada.
A transição para novas escalas exige revisão de bancos de horas, redimensionamento de equipes e implantação de rotinas de controle. Quanto maior a complexidade da mudança, maior a importância de mecanismos de registro e governança documental.
Nas últimas décadas, reformas como o trabalho remoto, regimes híbridos e a Reforma Trabalhista modificaram as relações de trabalho. Organizações que investiram em gestão preventiva de riscos e em documentação reduziram a exposição jurídica, enquanto outras transformaram questões operacionais em passivos financeiros.
Assim, a Justiça do Trabalho continuará a decidir com base em provas. Empresas que não produzirem documentação adequada poderão converter mudanças regulatórias em custos judiciais.









