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Corpo de Bombeiros registra 1,2 mil queimadas urbanas em MS e alerta risco de aumento

Major Eduardo Tracz, no estúdio da Rádio Massa FM Campo Grande Foto: Ana Lorena Franco/ Portal RCN67

O Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul registrou cerca de 1,2 mil ocorrências de queimadas urbanas entre janeiro e julho de 2024, segundo boletim da corporação. O Estado vive um inverno atípico, com chuvas acima da média, mas a aproximação da estiagem e a previsão de temperaturas mais elevadas motivam alerta para possível aumento dos incêndios.

Em entrevista ao Programa Microfone Aberto, da Massa FM, o major Eduardo Tracks, especialista em incêndios, afirmou que “os incêndios em vegetação na área urbana quase que na sua totalidade poderiam ser evitados”, destacando que a maior parte dos focos tem origem humana.

O major explicou que queimar folhas, lixo ou outros materiais em quintais e terrenos é prática comum e que, ao encontrar vegetação seca, vento e sol forte, a chama pode sair do controle rapidamente. “A gente tem vento, o sol quente, vegetação seca. Isso pode, quase que com certeza, sair do controle”, disse.

A falta de manutenção de terrenos abandonados também cria condições favoráveis à propagação do fogo. Áreas com mato alto, lixo e objetos descartados – como sofás e restos de poda – funcionam como combustível e aumentam o risco de incêndios em cadeia.

Além dos danos materiais, a fumaça e a fuligem geram risco à saúde. O major alertou que a poluição atmosférica pode agravar problemas respiratórios em crianças, idosos e pessoas com doenças pré‑existentes, sobretudo num inverno já propenso a gripes e resfriados. “Somatizando isso com essa fumaça, essa fuligem, com certeza vai prejudicar mais as crianças, as pessoas que já têm debilidades respiratórias, os idosos”, declarou.

O acúmulo de mato e lixo também favorece a presença de ratos, baratas, escorpiões e mosquitos, podendo ampliar a incidência de vetores como dengue e leishmaniose.

Para enfrentar o período crítico, o Corpo de Bombeiros reforçou equipes. Em Campo Grande, duas guarnições ficam destinadas ao atendimento de incêndios em vegetação, e unidades adicionais operam em áreas estratégicas do interior, como os parques estaduais de Costa Rica, Naviraí e Chapadão do Sul, além do Pantanal, onde mantém mais de dez bases avançadas.

O major Tracks apontou que a combinação de temperaturas mais altas, ventos fortes e menor volume de chuva nos próximos meses cria cenário propício à propagação do fogo. O período de maior atividade costuma concentrar‑se entre maio e setembro, com atenção redobrada em julho, agosto e setembro.

Apesar da estrutura mobilizada, a corporação enfatiza que a prevenção continua sendo a principal ferramenta. A orientação inclui não queimar folhas ou lixo, manter terrenos limpos e evitar descarte irregular de resíduos. “Se tivermos um pouco mais de empatia, de civilidade, de limpar o terreno, de não atear fogo, de não jogar ali… cada um ajudando um pouquinho, vamos conseguir segurar um pouco esse incêndio”, concluiu o major.

Em caso de incêndio, a população deve acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone 193.