Em entrevista ao programa Agro é Massa, da Massa FM, o meteorologista Guilherme Borges alertou que o El Niño previsto para a safra 2026/2027 pode ser um dos mais intensos dos últimos cinquenta anos, com a temperatura da região 3.4 do Pacífico já 1,8°C acima da média.
Borges explicou que o aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica, influenciando diretamente as condições climáticas em diferentes regiões do Brasil. No Centro-Oeste, a tendência é de massas de ar mais quentes e temperaturas acima da média por vários dias consecutivos, além de maior concentração de chuvas.
Segundo o especialista, apenas três eventos registrados desde o início das medições apresentaram intensidade semelhante: 1982‑1983, 1997‑1998 e 2015‑2016. Na escala meteorológica, um El Niño é classificado como fraco, moderado, forte ou muito forte; quando a anomalia supera 2°C, o fenômeno passa a ser considerado muito forte. Borges avalia que o episódio atual pode ultrapassar 3°C de anomalia, superando o recorde de 2,8°C de 2015.
O meteorologista destacou que a duração do fenômeno é o principal alerta: episódios dessa magnitude costumam permanecer ativos por pelo menos um ano. A projeção indica que os efeitos podem se estender até o próximo inverno, com perda de força a partir de maio de 2027, mas dissipação completa demandando mais tempo.
No Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso do Sul, a combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e maior incidência de radiação solar pode favorecer a expansão das queimadas, período em que setembro costuma concentrar o pico das chamas no país.
Enquanto isso, o Sul do Brasil deve registrar chuvas mais concentradas; o Rio Grande do Sul já apresenta volumes elevados, com algumas áreas acumulando mais de 750 milímetros em julho. Já a região Norte e o Nordeste tendem a ter redução das precipitações, embora a resposta dependa também das condições do Atlântico.
Borges recomenda que o acompanhamento das previsões meteorológicas seja usado como ferramenta de planejamento, sobretudo no setor agropecuário, para mitigar os impactos de um fenômeno que pode se prolongar e apresentar grande variabilidade.








