O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Central do Paraguai (UCP), Carlos Bernardo, apresentou a proposta de um Hospital Binacional entre Ponta Porã (Brasil) e Pedro Juan Caballero (Paraguai) durante um encontro com lideranças de atléticas e acadêmicos da região.
Bernardo afirmou que a estrutura buscaria ampliar o atendimento de alta complexidade e criar espaços para formação prática, internato e residência médica, com o objetivo de manter os médicos formados na própria fronteira.
Segundo ele, um hospital compartilhado poderia reduzir a dependência de encaminhamentos para centros como Dourados e Campo Grande e seria uma estrutura que integraria as instituições de ensino da região.
Ele destacou que a ausência de estruturas de maior complexidade contribui para a saída de profissionais após a graduação e que o projeto pretende criar um ciclo de formação, qualificação e permanência na região.
A implantação exigiria articulação institucional entre Brasil e Paraguai, envolvendo recursos federais, políticas do Ministério da Saúde e participação dos governos estadual e municipal, além de representação no Congresso para buscar recursos e construir a articulação necessária.
Bernardo disse que o desafio seria transformar diagnóstico em projeto, projeto em articulação e articulação em resultado.
O debate também abordou o impacto do custo de vida sobre as famílias brasileiras, com Bernardo argumentando que a discussão sobre renda deve considerar o que sobra após despesas com alimentação, moradia, energia, transporte e educação.
Estudantes compartilharam experiências: Vitória, de Chapadão do Sul, deixou uma faculdade no Brasil por questões financeiras e se mudou para a fronteira para cursar Medicina; Dheine Martins, candidata a deputada estadual e estudante de Medicina, ressaltou as dificuldades financeiras enfrentadas pelos estudantes.
Outros participantes incluíram Kleber Ortiz, vereador de Sanga Puitã, que destacou o impacto regional da proposta, e Sandra Bernardo, empresária, que ressaltou que uma estrutura hospitalar beneficiaria municípios além de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.
Para que a proposta saia do campo das ideias, seria necessário construir um modelo jurídico, financeiro e assistencial que estabeleça responsabilidades entre Brasil e Paraguai e defina como será realizado o atendimento da população dos dois lados da fronteira.








