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Santa Casa de Campo Grande suspende cirurgias cardíacas por falta de insumos

Santa Casa, convive, há anos, com crises financeiras e impasses administrativos - Foto: Arquivo RCN67

A Santa Casa de Campo Grande informou que, diante da escassez de insumos, medicamentos e materiais hospitalares, não tem condições de receber novos pacientes que necessitem de cirurgia cardíaca adulta ou pediátrica. A suspensão dos procedimentos ocorre desde 29 de julho, quando foram interrompidas as cirurgias eletivas e os atendimentos ambulatoriais.

Escassez de insumos

A diretora técnica, Dra. Patrícia Berg, declarou que a instituição dispõe de apenas um kit de circulação extracorpórea, equipamento essencial para determinados procedimentos cardíacos, reservado para um paciente já internado. Por falta de materiais, a Santa Casa acionou a regulação e órgãos públicos para redirecionar pacientes que possam ser atendidos em outras unidades.

Equipe pediátrica em risco

Segundo a mesma diretora, a equipe de cirurgia cardíaca pediátrica é a única do estado de Mato Grosso do Sul e está sinalizando sua saída da Santa Casa. Caso a equipe encerre os serviços, crianças que antes eram referenciadas ao hospital terão de ser encaminhadas a hospitais de outros estados.

Problemas financeiros

A diretora clínica, Dra. Izabela Falcão, confirmou que as equipes médicas PJ e autônomas estão há quatro meses sem receber. Apesar dos atrasos, os profissionais mantêm os atendimentos de urgência e emergência, temendo que a paralisação completa prejudique a população.

Capacidade cirúrgica reduzida

Do total de 16 salas no centro cirúrgico do segundo andar, a Santa Casa utiliza atualmente seis durante o dia e três à noite, o que pode aumentar o tempo de internação e obrigar o encaminhamento de casos a outras instituições.

Fiscalização do MPMS

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul acompanha a crise, tendo ajuizado ação civil pública em novembro de 2025 para cobrar um plano conjunto de regularização dos serviços do SUS. Apesar de tutela de urgência, multa diária e acordo de R$ 54,1 milhões, a Santa Casa ainda relata estoques críticos e impossibilidade de receber novos pacientes para cirurgias cardíacas. A reportagem procurou o MPMS e a Prefeitura de Campo Grande, que não responderam até o momento.