O governo de Mato Grosso do Sul formalizou junto ao Ministério das Relações Exteriores o pedido para a instalação de um Consulado do Brasil em Jujuy, na Argentina. A iniciativa busca atender à nova realidade logística criada pelo Corredor Rodoviário Bioceânico, que conecta o estado aos portos chilenos.
O ofício foi assinado pelo governador Eduardo Riedel (PP) e endereçado ao chanceler Mauro Vieira no fim de agosto. O documento argumenta que a estrutura diplomática atual é insuficiente para a demanda crescente da região.
Atualmente, os brasileiros residentes no norte argentino ou turistas que passam pela área dependem exclusivamente do Consulado-Geral em Córdoba. Essa dependência cria uma barreira geográfica significativa, com distâncias superiores a 900 quilômetros.
Barreiras logísticas e custos
Segundo o texto enviado ao Itamaraty, a distância impõe severas barreiras logísticas e eleva os custos para quem precisa de serviços regulares ou assistência emergencial. O governo estadual destaca o desgaste financeiro e prático imposto aos viajantes em casos de urgência.
Na prática, essa distância significa dias de espera e longas viagens para emitir segunda via de passaporte, regularizar documentos civis ou obter apoio formal após furtos e extravios de itens pessoais.
A escolha de San Salvador de Jujuy não é aleatória. A cidade é a última grande parada urbana e aduaneira antes da subida da Cordilheira dos Andes pelo Passo de Jama, um gargalo geográfico estratégico.
Impacto no fluxo de cargas
O Passo de Jama conduz as cargas sul-mato-grossenses aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique. O ofício afirma que uma representação diplomática permanente na região otimizará o trâmite aduaneiro e monitorará os fluxos de transporte de carga.
A proposta pontua que a base diplomática servirá para destravar trâmites fiscais de caminhoneiros e facilitar o diálogo direto com lideranças provinciais argentinas. O objetivo inclui ações de segurança e cooperação econômica transfronteiriça.
Além da economia, o documento cita a expansão do turismo rodoviário e ecológico por brasileiros nas serras e desertos andinos. A presença de um posto diplomático garantirá pronta assistência em casos de acidentes, perda de documentos, problemas de saúde ou vulnerabilidades jurídicas.
O processo agora tramita nas áreas técnicas do Itamaraty, que confirmou o recebimento do documento. O ofício solicita estudos de viabilidade técnica e orçamentária para a criação da nova repartição.
Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores não divulgou um prazo para a conclusão da análise técnica. A decisão dependerá das exigências burocráticas e orçamentárias do governo federal.








