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Gaeco prende quatro pessoas por desvio de verba da merenda em Água Clara

Mandados miram conluio que desviava recursos destinados à alimentação de alunos da rede municipal - Foto: Divulgação/MPMS

Na manhã de segunda-feira, 14, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu quatro pessoas em Água Clara, município de Mato Grosso do Sul. A ação, parte da Operação Barattieri, foi conduzida com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar e cumpriu sete mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

Entre os detidos estão três servidoras do município e um empresário local do setor alimentício. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as servidoras cobravam pagamentos indevidos do comerciante para garantir a manutenção dos fornecimentos à administração municipal.

Para viabilizar o repasse da propina sem diminuir o lucro da empresa, as funcionárias aumentavam artificialmente os pedidos de compras emitidos pela prefeitura: a administração emitia e quitava pedidos de gêneros alimentícios em quantidades infladas; o empresário entregava apenas uma parte dos mantimentos nas unidades escolares; a sobra orçamentária gerada pelo produto pago e nunca entregue bancava a divisão dos lucros entre os envolvidos.

As provas que fundamentaram os pedidos de prisão foram descobertas a partir da Operação Malebolge, que apura esquemas semelhantes de superfaturamento e fornecimento de alimentos estragados ou vencidos a redes municipais de ensino em cidades do interior do estado. Ao analisar o material recolhido naquela fase, os promotores constataram a existência do conluio específico mantido em Água Clara. O nome da operação remete a A Divina Comédia, clássico de Dante Alighieri; na obra, os “barattieri” habitam o círculo do inferno reservado àqueles que negociam decisões, bens e atos públicos em troca de dinheiro ou favores pessoais.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul informou que a investigação continuará a analisar documentos e depoimentos para determinar a extensão dos prejuízos à administração pública e a responsabilização dos envolvidos. A operação demonstra a persistência de práticas de corrupção no setor de merenda escolar e reforça a necessidade de fiscalização rigorosa nas compras públicas.

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