Em setembro, a pesquisa do instituto Quaest revelou que 56% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal, um salto de dez pontos percentuais em relação a agosto. Apenas 9% afirmam confiar muito, enquanto 30% confiam pouco. A queda de confiança coincide com um período de tensão institucional, marcado por trocas de mensagens privadas entre ministros e pedidos de abertura de apurações internas.
Comparando com os demais poderes, o Congresso Nacional registrou 46% de desconfiança e 44% de confiança pouco, enquanto a Presidência da República teve 41% de não confiança e 22% de confiança muito. Assim, o STF tornou-se o órgão com a maior rejeição pública, superando até mesmo a percepção negativa sobre a Casa Civil e o Legislativo no mesmo período.
A coleta contou com 2.004 entrevistas presenciais em domicílio, realizadas entre 10 e 13 de setembro, entre pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-03607/2026, garantindo transparência e rastreabilidade do processo.
Crise no STF
A crise interna se intensificou após a divulgação de diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. Em seguida, o ministro André Mendonça derrubou o sigilo dos autos, provocando a reação imediata de Moraes, que acionou órgãos de controle para apurar suposto abuso de autoridade por parte do colega. O episódio gerou repercussões que colocaram o tribunal em cenário de instabilidade.
O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, agendou para 15 de setembro o julgamento que avaliará a abertura de procedimento investigatório contra Moraes. A representação envolvendo a conduta de Mendonça está prevista para ser discutida no plenário no dia 23 de setembro. Essas datas marcam os próximos passos da investigação interna, que pode influenciar a percepção pública e a legitimidade do tribunal.
Com a queda de confiança, o STF enfrenta um desafio de restaurar credibilidade diante de uma população que já demonstra ceticismo em relação às instituições. A continuidade das investigações e a transparência nas decisões são cruciais para mitigar o impacto negativo. O próximo julgamento, agendado para 15 de setembro, será decisivo para determinar se o tribunal tomará medidas disciplinares contra os envolvidos.







