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Campo Grande entra em lista prioritária do SUS para enfrentar El Niño

Estratégia intersetorial prevê atualização de planos de contingência - Foto: Divulgação/Prefeitura de CG

Campo Grande foi incluída no grupo de cidades prioritárias do programa federal AdaptaSUS. A iniciativa visa adequar a estrutura do Sistema Único de Saúde aos impactos de fenômenos climáticos severos, com foco especial no El Niño. O objetivo principal é antecipar ações preventivas e evitar colapsos no atendimento de urgência durante o período de instabilidade climática.

O alinhamento das medidas avançou nesta segunda-feira (14), em reunião técnica realizada no gabinete da prefeitura. Este foi o segundo encontro promovido pela Secretaria Municipal de Saúde sobre o tema em setembro. A primeira rodada de debates ocorreu no início do mês, na sede da pasta, reunindo equipes técnicas, representantes da Defesa Civil e da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sear).

Cidades em alerta

Além da Capital, outras nove cidades sul-mato-grossenses integram a lista de atenção prioritária no Estado. São elas: Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Aquidauana, Coxim, Miranda, Paranaíba, Caarapó e Porto Murtinho. A inclusão dessas localidades reflete a necessidade de um planejamento coordenado para lidar com os riscos sanitários associados às variações do tempo.

Para o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, a resposta da rede precisa ser planejada antes da manifestação das crises sazonais. Ele destacou que a preparação deve acontecer antes do evento. Segundo o gestor, estão sendo antecipados cenários e fortalecido o planejamento da rede para diferentes situações. Isso inclui possíveis alterações no perfil das doenças respiratórias e dos agravos relacionados ao calor, além dos impactos que eventos climáticos podem trazer para os serviços de saúde.

Diagnóstico e monitoramento

O planejamento intersetorial, construído em parceria com o Corpo de Bombeiros e demais órgãos municipais, abrange vistorias na infraestrutura física dos postos. Técnicos avaliam as condições de telhados, calhas e sistemas de escoamento para conter riscos de alagamento em tempestades. A equipe também checa o abastecimento contínuo de água e a funcionalidade de geradores de energia.

A estratégia prevê ainda o levantamento de estoques estratégicos de oxigênio medicinal, medicamentos e insumos. Haverá um estudo para mapear pacientes de maior vulnerabilidade, como idosos, gestantes, crianças pequenas, pessoas acamadas e dependentes de oxigenoterapia domiciliar. Essa identificação é crucial para garantir prioridade no atendimento em situações de emergência.

A Vigilância em Saúde monitora os avisos meteorológicos emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) e Defesa Civil. A superintendente de Vigilância da pasta, Veruska Lahdo, explicou que a leitura prévia dos dados evita a sobrecarga nas unidades. Ela ressaltou que o papel da vigilância é acompanhar os alertas e observar os indicadores. O objetivo é identificar precocemente qualquer alteração no perfil das doenças e agravos para que a resposta aconteça antes que a situação se agrave.

O foco de atenção recai sobre desidratação, intoxicações por fumaça de queimadas florestais e crises respiratórias decorrentes da estiagem. Também estão no radar surtos de arboviroses em períodos de chuva intercalada com calor e eventuais acidentes e traumas provocados por temporais no segundo semestre. A preparação antecipada busca minimizar esses riscos para a população.

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