O programa TVC Agora, transmitido pela TVC HD Canal 13.1, estreou nesta semana o quadro Lado B, que tem como proposta levar ao público a história de profissionais fora do ambiente de trabalho. Na estreia, a engenheira civil Naiara Alves foi a primeira convidada, apresentando ao telespectador a sua trajetória na construção civil e a paixão que desenvolveu pelo motociclismo.
Naiara relata que iniciou a carreira aos 22 anos em uma fábrica, passando inicialmente pelo setor de Recursos Humanos antes de decidir pela engenharia. A escolha, segundo ela, nasceu do desejo de “ver as coisas sendo criadas a partir de uma tela em branco”, embora não fosse um sonho de infância. Hoje, afirma que “escolhi engenharia, aconteceu, eu amei e não me vejo fazendo outra coisa”.
No dia a dia da obra, a engenheira destaca a necessidade de organização e de corresponder à confiança dos clientes. Cada obra, explica, envolve múltiplas etapas – desde o planejamento até a impermeabilização – e pular processos pode gerar retrabalho, aumento de custos, atrasos e problemas futuros. “Quem está fora da área nem sempre imagina a quantidade de etapas necessárias até o resultado final”, completa.
Fora do canteiro, Naiara encontrou outra forma de liberdade: as motocicletas. A paixão pelas duas rodas começou a se consolidar há nove anos, quando conheceu o noivo Pedro, que já tinha forte ligação com o motociclismo. A convivência com Pedro e com o pai dele, também entusiastas das motos, intensificou o interesse da engenheira, que hoje descreve a sensação de pilotar como “uma mistura de paz, liberdade e desconexão da rotina”.
Vida sobre duas rodas
Para Naiara, uma volta de moto no fim de semana funciona como válvula de escape após uma semana corrida e estressante. “É inexplicável. Realmente, só quem pilota para entender”, afirma. Entre as experiências mais marcantes, destaca uma viagem de dez dias à Argentina para acompanhar o Moto GP, na garupa do noivo, em um pelotão de sete motos. As amizades feitas ao longo do percurso foram, segundo ela, um dos pontos mais especiais da aventura.
Outro episódio que ficou gravado na memória foi a viagem a Santa Catarina durante um período de fortes chuvas. Na ocasião, Pedro escorregou e caiu de moto. Naiara acompanhava o trajeto em tempo real e descreve a tensão vivida até conseguir contato e confirmar que ele estava bem. O susto reforçou, para a engenheira, a necessidade de atenção constante ao pilotar.
O próximo objetivo sobre duas rodas é percorrer a rota do Atacama, no Chile. “É a rota que eu quero fazer”, declara, demonstrando que a lista de metas ainda tem espaço para novos desafios.
Entre obra e pista
Ao comparar os dois universos, Naiara aponta que tanto a obra quanto a moto exigem 100 % de atenção. Na construção, um erro pode gerar retrabalho, custos adicionais e atrasos; na pista, uma falha pode ser fatal. “Nos dois ambientes lido com vidas – a minha, quando estou pilotando, e a de profissionais e clientes quando estou à frente de uma obra”, afirma.
Quando questionada sobre qual das duas versões melhor a representa, a engenheira responde que não separa as identidades. “Eu acho que as duas Naiaras, uma complementa a outra”, diz, ressaltando que aprende diariamente tanto como engenheira quanto como motociclista. Na estrada, enfrenta calor, chuva e desafios da pista; na obra, lida com pressão, pessoas e situações de estresse.
Em um bate‑bola sobre preferências pessoais, Naiara revelou que, entre obra e estrada, escolheria a estrada. Reconhece ser impulsiva, embora saiba que algumas decisões exigem planejamento. Prefere folga ao trabalho, apesar de amar a profissão, e aponta a própria casa como o lugar que mais ama, descrevendo‑se agora como “Naiara 3.0”, uma versão mais caseira e menos baladeira. A família, especialmente a sobrinha, ocupa um lugar central em sua vida.
A estreia do Lado B, ao revelar a engenheira que também vive intensamente sobre duas rodas, cumpre a proposta do quadro: apresentar ao público as facetas humanas que ficam fora do expediente. Ao mostrar como a disciplina da engenharia se mistura com a liberdade do motociclismo, o programa abre espaço para que outros profissionais compartilhem histórias semelhantes, ampliando a compreensão do público sobre as múltiplas identidades que compõem a vida contemporânea.







