As eleições gerais de 2024 foram marcadas por um elevado índice de abstenção. O fenômeno foi impulsionado pelas condições climáticas adversas e pelo descontentamento do eleitorado. Muitos eleitores consideraram a polarização do pleito entre apenas dois candidatos como um fator desanimador. Essa percepção foi agravada pela falta de empolgação com os demais concorrentes, que careciam de densidade eleitoral. Além disso, houve uma ausência generalizada de propostas claras para apreciação sob o aspecto do interesse comum.
O resultado do primeiro turno confirmou a previsão de que a disputa se circunscreveria ao desempenho dos dois principais nomes. Esses candidatos avançaram para o segundo turno, agendado para o dia 24 de outubro. Atualmente, faltam exatamente quinze dias para a segunda votação. O horário eleitoral para propaganda começou a ser veiculado ontem. Até o momento, não surgiram novidades significativas no cenário político nacional.
Disputa nas redes
Os dois candidatos estão intensificando suas comunicações nas redes sociais. A estratégia visa utilizar esse meio como a principal ferramenta para garantir a vitória. No entanto, a expectativa recai sobre as entrevistas em rádio e televisão. Esses formatos são considerados indispensáveis para esclarecer a sinceridade dos compromissos democráticos. A transparência sobre os verdadeiros propósitos de gestão dos concorrentes dependerá dessas aparições. O grande desafio para definir o resultado final será a presença do eleitor nas urnas. É fundamental que o cidadão manifeste sua preferência e vontade em eleger o próximo presidente da República.
A expectativa é de que compareçam às urnas aqueles que votaram no primeiro turno. Também se espera a participação de quem ficou em casa por motivos diversos. Focando na realidade local, Três Lagoas representa o polo de desenvolvimento da região da Costa Leste. Essa área congrega 11 municípios. No pleito, a região elegeu um deputado estadual com domicílio em Três Lagoas e outro em Bataguassu, que foi reeleito.
Desafio regional
Constata-se que a região tornou-se uma praça de votos aberta a qualquer candidato. Isso ocorre desde que o político tenha capacidade de se relacionar com lideranças locais. O objetivo é obter a quantidade de votos necessária para si ou para engordar os quocientes eleitorais. Essa dinâmica assegura a eleição em uma determinada legenda partidária. Diante dessa dispersão de votos pulverizados para mais de uma dezena de candidatos, observa-se uma falha histórica. Nos últimos trinta anos, não foi possível conscientizar lideranças e eleitorado sobre a necessidade de união. A região não pode ficar a reboque da boa vontade de quem obtém votos na Câmara Federal em caráter eventual.
A representação de Três Lagoas e região na Câmara Federal é indispensável. É necessário marcar presença institucional junto aos organismos da administração federal. Isso permite encaminhar a destinação de recursos públicos para obras e melhorias no serviço público. Existem dezenas de providências que podem ser solucionadas com essa representação. Se os onze municípios da Costa Leste se unirem em torno de um nome, será possível eleger um deputado federal comprometido. Esse parlamentar não precisará buscar votos em outras cidades e regiões com as quais não tem compromisso real. A busca por votos em outras áreas serve apenas para angariar o número necessário para a eleição.
O tempo passa e mais uma eleição se realiza com precisão incontestável na apuração. Isso é proporcionado pela agilidade das urnas eletrônicas. Independentemente de posicionamentos ideológicos, é preciso acabar com o clima de barganha na política. Esse cenário, que tem como lema ‘é dando que se recebe’, acaba emparedando qualquer governante. A Constituição Federal, que completou 38 anos de vigência no último dia 5 de outubro, precisa ser atualizada em alguns pontos. Ela preconiza, em sua essência, a instituição do Parlamentarismo. Esse regime nada mais é do que a coalização de partidos para administrar o país. O governo seria representado por um primeiro-ministro eleito pela maioria. Se cair da confiança do Parlamento, pode ser substituído por outro indicado pelos partidos que integram a Casa Legislativa.
Essa é uma questão fundamental que deve ser analisada para contornar crises que sobressaltam a nação. Também passa da hora de se instituir o voto distrital. Essa medida autenticaria regionalmente a representação do deputado federal e estadual. A eleição presidencial deste ano é uma das mais acirradas da história do Brasil. Certamente, se vivêssemos sob o regime de governo Parlamentarista, as disputas seriam mais racionais. Os resultados em favor da população seriam mais objetivos e diretos.








