Três Lagoas (MS) contabilizou R$ 970,7 milhões de receita entre janeiro e agosto de 2026, segundo a prestação de contas do segundo quadrimestre apresentada pela Secretaria Municipal de Fazenda. O montante corresponde a 64,16% da receita atualizada prevista para o ano inteiro, que foi elevada de R$ 1,488 bilhão para R$ 1,513 bilhão.
Do total arrecadado, R$ 381,1 milhões são receitas próprias do município, representando 39,27% da arrecadação. Entre as principais fontes próprias destacam‑se o ISSQN (R$ 113,4 milhões), o RPPS (R$ 78,5 milhões), o Imposto de Renda (R$ 49,4 milhões) e o IPTU (R$ 46,8 milhões). Também constam o ITBI (R$ 17,3 milhões) e a dívida ativa (R$ 11,0 milhões).
Transferências estaduais e federais
Os recursos transferidos pelos governos estadual e federal têm papel decisivo na composição da receita. As receitas estaduais somaram R$ 257,9 milhões, dos quais R$ 219,6 milhões provêm de ICMS. As receitas federais totalizaram R$ 281,6 milhões, com destaque para o FPM (R$ 110,4 milhões), o Fundeb (R$ 93,2 milhões) e os repasses do SUS (R$ 60,2 milhões).
Além da arrecadação corrente, a prefeitura registrou R$ 50,0 milhões em receitas de capital provenientes de operações de crédito, o que representa 83,33% dos R$ 60,0 milhões previstos para o ano.
Despesas e prioridades
Até o segundo quadrimestre, o município havia empenhado R$ 1,151 bilhão, dos quais R$ 857,4 milhões foram liquidados e R$ 842,7 milhões efetivamente pagos. O empenho corresponde a 74,46% da dotação orçamentária atualizada, que chegou a R$ 1,591 bilhão. Vale lembrar que empenho indica compromisso, liquidação confirma a entrega do bem ou serviço e pagamento representa a saída efetiva de recursos.
A maior despesa recai sobre a Saúde, com R$ 322,5 milhões empenhados. Desses, R$ 169,9 milhões são despesas correntes, R$ 144,7 milhões são gastos com pessoal e encargos sociais e R$ 7,9 milhões são investimentos. O município aplicou R$ 184,7 milhões em ações e serviços de saúde, equivalente a 30,35% da receita considerada para o cálculo constitucional, bem acima do mínimo de 15%.
Na Educação, os empenhos totalizaram R$ 276,8 milhões. Conforme a regra constitucional, o município precisava aplicar R$ 153,8 milhões e efetivamente aplicou R$ 157,4 milhões, atingindo 25,58% da receita de cálculo. O Fundeb recebeu R$ 93,7 milhões, dos quais R$ 92,3 milhões foram aplicados – R$ 92,1 milhões destinados a profissionais da educação e R$ 210,8 mil à manutenção e desenvolvimento do ensino. Entre as obras concluídas ou em execução estão a construção do CEI Portinari (R$ 5,2 milhões), a Escola Municipal Montanini (R$ 12,0 milhões) e a Escola Municipal Júlio Fernandes Colino (R$ 4,7 milhões).
Os investimentos em infraestrutura somaram R$ 125,5 milhões. Embora a apresentação detalhe R$ 132,3 milhões vinculados a pavimentação e drenagem, o total efetivamente registrado foi de R$ 125,5 milhões, complementado por R$ 38,4 milhões em imóveis, R$ 8,4 milhões em iluminação pública e R$ 2,6 milhões em bens. As obras de pavimentação e drenagem concentram os maiores contratos: intervenções no Jardim Samambaia e Jardim Capilé (R$ 16,5 milhões), avenida Custódio Andrews (R$ 14,9 milhões), Jardim Novo Alvorada e Jardim Rodrigues (R$ 12,3 milhões) e Vila Alegre, entre outras etapas que totalizam mais de R$ 30 milhões.
Além do asfalto, a prefeitura investiu R$ 8,4 milhões em iluminação pública por meio de parceria público‑privada, R$ 4,7 milhões na primeira fase do Shopping Popular e R$ 2,8 milhões na segunda fase. Na área de drenagem, foram construídas duas estações elevatórias e bacias de detenção (os chamados piscinões) na Vila Nova e no Jardim Alvorada, com investimento de R$ 4,5 milhões, além de obras complementares na Vila Alegre.
O gasto com pessoal chegou a R$ 594,1 milhões, representando 50,33% da receita corrente líquida. Embora abaixo do limite máximo de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o índice se aproxima do limite prudencial de 51,30%, indicando que metade da receita corrente está comprometida com salários e encargos.
Em termos de endividamento, a dívida consolidada do município foi de R$ 155,5 milhões. Contudo, com deduções de R$ 163,4 milhões – principalmente disponibilidade de caixa – a dívida líquida ficou negativa em R$ 7,8 milhões. A receita corrente líquida ajustada para cálculo dos limites de endividamento foi de R$ 1,195 bilhão, e a dívida consolidada representou 13,01% desse valor, muito abaixo do teto de 120% previsto para os municípios.
Os números apontam para uma gestão fiscal que, apesar de depender fortemente de transferências estaduais e federais, mantém a arrecadação própria em patamares relevantes e cumpre as metas constitucionais de aplicação em saúde e educação. O próximo passo da administração será a conclusão dos projetos de pavimentação e drenagem ainda em andamento, bem como a consolidação dos investimentos em equipamentos de saúde, que devem ser concluídos antes do final do exercício.







