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Empregada doméstica elimina 20 quilos e volta a correr aos 45 anos

Aos 45 anos, a empregada doméstica Rose Nunes, que vive em Mato Grosso do Sul, eliminou 20 quilos e voltou a correr depois de anos de dores e limitações físicas. A mudança foi impulsionada por apoio familiar, acompanhamento profissional e sua própria determinação. O resultado não é apenas a perda de peso, mas a recuperação da disposição e da autonomia no dia a dia.

Um ano atrás, Rose sentia dores constantes no corpo, estava acima do peso e tinha dificuldade em segurar a neta no colo. No trabalho, tarefas simples como estender roupas no varal, agachar ou arrastar móveis exigiam esforço intenso. Os sintomas chegaram a levantar suspeita de fibromialgia, o que agravou ainda mais sua situação.

A alimentação também precisava mudar. O consumo frequente de açúcar e carboidratos, aliado à falta de atividade física, já afetava a saúde e a autonomia de Rose. O incentivo para procurar uma academia veio dos filhos, que perceberam que a rotina exigia mais cuidado com a saúde.

Desafios iniciais

Voltar a se exercitar depois de anos parada não foi simples. Rose começou a treinar, mas ainda sentia dores durante a musculação. A melhora veio com a combinação entre atividade física e acompanhamento nutricional. “Aí eu vim para a academia, só que, devido ao peso que eu pegava, eu sentia ainda muita dor. A gente tentou começar com a nutrição, mexer na alimentação. Comecei a alimentação certinha. Não foi fácil, porque eu tinha compulsão por doce”, contou.

Resultados e metas

Segundo Rose, a retirada dos doces teve papel importante na redução das dores. “Aí que eu comecei a ver as melhoras. Foi desinflamando minhas articulações, foi desinflamando tudo. Hoje eu sou outra pessoa. Consigo correr, consigo fazer musculação, consigo agachar, lavar roupa, lavar louça e limpar debaixo da cama no serviço”, relatou. A transformação foi além da balança: depois de eliminar 20 quilos, Rose resgatou o sonho antigo de correr como fazia na adolescência. Há cerca de um ano, ela intensificou os treinos e passou a participar de competições, acumulando medalhas, um troféu pelo segundo lugar no pódio e uma meia maratona no currículo. Os planos continuam, e ela já se prepara para o próximo desafio.

O personal trainer Henrique Bispo explica que a atividade física tem papel importante no emagrecimento, no fortalecimento muscular e na melhora dos movimentos cotidianos. “A atividade física ajuda em todo o processo, principalmente para emagrecer, fortalecer e ter mais músculo, que é algo saudável. Também ajuda nas funções do dia a dia, principalmente para pessoas com mais idade”, afirmou. Henrique também observa aumento na procura de pessoas com mais de 40 anos por atividades físicas. Muitas buscam recuperar movimentos, voltar a correr, pedalar ou caminhar, além de realizar tarefas simples com menos dificuldade, como agachar, sentar ou pegar objetos no alto com peso.

O acompanhamento com nutricionista foi outro ponto decisivo na mudança de Rose. A nutricionista Fernanda Araújo explica que a alimentação deve acompanhar o gasto calórico e se encaixar na rotina do paciente, sem depender de dietas extremamente restritivas. “Tem muita gente que já chega achando que vai fazer uma dieta muito restritiva, mas a gente não precisa disso. A alimentação precisa se encaixar na rotina e ser prazerosa, para que a pessoa consiga manter”, explicou. Fernanda reforça que o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança, mas emagrecer de forma adequada, com nutrientes suficientes e em conjunto com os exercícios físicos. Ela também alerta que dietas muito restritivas e estratégias sem acompanhamento podem trazer riscos. Mesmo quem utiliza medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, precisa manter uma alimentação adequada para preservar a massa muscular e a saúde.

No caso de Rose, a combinação entre exercícios, orientação nutricional e apoio familiar sustentou a mudança. Ela afirma que o incentivo de outras pessoas foi essencial nos dias de desânimo. “Primeiro você precisa de apoio familiar, depois do apoio da nutricionista e de um personal. O dia em que você não está bem, eles te incentivam. Sozinha a gente tem sempre o ‘não dou conta’, ‘não posso’. Depois que você consegue um ano, aí ninguém te segura mais”, resumiu. Mais do que medalhas ou números na balança, Rose Nunes vê na nova rotina a chance de recuperar saúde, disposição e autonomia. Aos 45 anos, ela transformou a própria história e passou a inspirar outras pessoas a darem o primeiro passo.

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