Um professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), natural de Paranaíba, foi preso em flagrante no domingo (18) em Jales, interior de São Paulo, sob suspeita de simular o furto da própria caminhonete para receber indenização de cerca de R$ 102 mil da seguradora. A prisão ocorreu após operação conjunta das polícias Militar e Civil, que investigavam denúncia de veículos ocultos em um condomínio local.
A denúncia anônima apontava que três veículos estariam escondidos em um imóvel situado em um residencial de Jales. Os policiais, ao atenderem a informação, deslocaram‑se ao endereço e iniciaram diligências de busca e apreensão. No local, foram localizados três automóveis, entre eles a caminhonete alvo da suposta fraude.
Entre os veículos apreendidos, destacou‑se uma Toyota Hilux CD4x4 SRV 2009, cor preta, coberta por lona e sem placas de identificação. A consulta ao número do chassi revelou registro de furto já existente, embora a placa tenha sido recuperada durante a operação. Os demais veículos não foram vinculados ao crime investigado.
Operação policial
Ao chegar ao imóvel enquanto a equipe ainda realizava as diligências, o professor foi reconhecido como suposta vítima do furto. Conforme relatório da Polícia Civil, ele admitiu que o roubo foi encenado para possibilitar o recebimento do seguro, alegando que a seguradora já havia transferido o valor entre R$ 101 mil e R$ 102 mil para sua conta bancária.
O delegado Matheus Arnaldo Pereira da Silva coordenou a prisão e, junto à equipe da Polícia Científica, realizou a apreensão de dois celulares, documentos pessoais e papéis que relacionam o imóvel ao homem que registrou o furto da caminhonete. A Hilux foi recolhida e encaminhada ao laboratório de perícia, onde será analisada a estrutura e possíveis indícios de adulteração.
Desdobramentos judiciais
Na Central de Polícia Judiciária de Jales, o docente foi indiciado por estelionato contra seguradora, tipificado no artigo 171, § 2º, inciso V, do Código Penal. O delegado ratificou a prisão em flagrante e determinou o indiciamento, enquanto uma cópia da ocorrência foi remetida à autoridade competente para análise de eventual comunicação falsa de crime, medida prevista na legislação.
A perícia da Hilux deverá produzir laudo técnico que esclareça como o veículo foi retirado de circulação, ocultado e se há indícios de manipulação que confirmem a fraude. As investigações continuam para mapear eventual participação de terceiros, identificar possíveis beneficiários da indenização e determinar a responsabilidade penal do professor da UEMS. Não há prazo definido para conclusão, mas as autoridades afirmam que o caso será acompanhado de perto.
O caso levanta preocupação sobre fraudes contra seguradoras e coloca em evidência a necessidade de fiscalização mais rigorosa de seguros de veículos. Enquanto o processo segue em fase investigativa, o professor permanece à disposição da justiça e poderá responder pelos crimes de estelionato e eventual comunicação falsa de crime.







