A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul foi acionada na manhã desta terça-feira (28) após receber relato de perseguição e ameaças contra duas mulheres no centro de Paranaíba. O episódio, registrado oficialmente às 11h35, ocorreu entre 10h36 e 10h45 em uma residência localizada na Rua João Gonçalves de Moraes.
De acordo com o boletim policial, as vítimas, ambas com 24 anos, informaram que o autor das ameaças é um jovem de 18 anos, ex-companheiro de uma delas. Segundo narraram, ele não aceita o término do relacionamento e vem mantendo comportamento que consideram insistente e intimidatório, tanto por meio de mensagens em redes sociais quanto presencialmente, inclusive em espaços públicos.
As mulheres afirmaram que as abordagens se tornaram frequentes depois da separação. Mensagens eletrônicas com conteúdo considerado ofensivo, ligações e aparições inesperadas em endereços frequentados pelas vítimas foram mencionadas no relato entregue às autoridades. Os registros indicam que o suspeito teria ampliado o nível de hostilidade ao comparecer pessoalmente ao imóvel onde as jovens residem.
Ameaça de levar criança da creche
O ponto mais sensível, segundo as vítimas, ocorreu no momento da ocorrência. Acompanhado da própria mãe, o jovem teria voltado à residência das mulheres e, diante delas, ameaçado sequestrar o filho de uma delas, atualmente matriculado em uma creche da cidade. A declaração de que “buscaria a criança e desapareceria” agravou o temor das vítimas, que passaram a temer não apenas pela integridade física, mas também pela segurança do menor.
Conforme o registro policial, o suspeito não apresentou arma de fogo ou objeto contundente durante a abordagem. No entanto, o teor das palavras e a presença repetida no endereço levaram as mulheres a acionar imediatamente o serviço de emergência da Polícia Militar.
Atendimento policial e diligências
Equipes foram deslocadas para o local e colheram detalhes sobre a dinâmica das ameaças. Após ouvir as vítimas, os policiais iniciaram buscas pela região central e por bairros adjacentes de Paranaíba, com o objetivo de localizar o suspeito. Até o encerramento da chamada, ele não havia sido encontrado.
Os agentes também procuraram averiguar se o jovem havia se dirigido a instituições de ensino infantil próximas, mas não houve indicação de que ele tivesse comparecido à creche mencionada. Mesmo assim, a polícia informou que reforçaria a vigilância no entorno da unidade escolar para impedir qualquer tentativa de aproximação da criança.
Encaminhamento à Polícia Civil
Depois das diligências iniciais, as duas mulheres foram levadas ao prédio da Polícia Civil de Paranaíba para formalizar a denúncia. O caso foi registrado e será acompanhado por delegados da unidade, que deverão adotar medidas legais previstas na legislação de proteção à vítima de violência doméstica e familiar. Entre as providências possíveis estão pedido de medida protetiva de urgência, restrição de contato e eventual representação criminal por ameaça e perseguição.
As autoridades destacaram a importância de documentar cada ocorrência de intimidação, orientação que foi reforçada às vítimas. Policiais militares informaram que, caso o autor seja localizado, ele poderá responder pelos crimes previstos nos artigos correspondentes do Código Penal e na Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, quando verificada a configuração de violência doméstica.
Até o momento não há registro de violência física, mas o histórico de perseguição e a menção a possível sequestro motivaram a mobilização imediata do efetivo. A investigação seguirá para apurar se houve participação ou conivência de outras pessoas, incluindo a mãe do suspeito, que esteve presente durante a ameaça, conforme descrevem as vítimas.
A Polícia Militar informou que mantém patrulhamento preventivo no bairro e permanece à disposição para novo acionamento. A identidade do autor não foi divulgada oficialmente, em conformidade com os protocolos de proteção de dados e para não comprometer a investigação em curso.
Com a ocorrência já formalizada, a continuidade do caso fica a cargo da Polícia Civil, que avaliará a necessidade de depoimentos adicionais, coleta de provas digitais — como mensagens em redes sociais e registros de chamadas telefônicas — e eventual solicitação de medidas cautelares ao Poder Judiciário.









