Em entrevista ao programa Agro é Massa, da Rádio Massa FM Campo Grande, o analista de mercado Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, afirmou que o mercado de boi gordo deve perder o viés de baixa observado na segunda quinzena de agosto e apresentar maior sustentação nos preços ao longo de setembro. Na principal praça de referência, São Paulo, a arroba está negociada entre R$ 342 e R$ 344, após ter atingido de R$ 330 a R$ 335 em julho.
Fabbri explicou que a pressão de baixa perdeu força nos últimos dias e que frigoríficos já encontram dificuldades para avançar as escalas de abate sem pagar valores acima da referência de mercado. “O mercado já está mais estável, com alguns compradores relatando que tiveram que ofertar mais do que a referência vigente para conseguir avançar suas escalas de abate. Isso, na nossa interpretação, acaba sendo um fator de fundamento e deve ajudar na próxima semana, no começo do mês de setembro”, disse.
Um dos principais fatores de sustentação apontados é a decisão dos Estados Unidos de permitir a importação de 300 mil toneladas de carne bovina magra sem sobretaxa, destinada principalmente à produção de carne moída. A medida ocorre em meio à redução do rebanho norte‑americano, estimado em cerca de 87 milhões de cabeças, e ao aumento dos preços da carne bovina para o consumidor. Segundo Fabbri, o Brasil está entre os países que podem se beneficiar dessa abertura entre setembro e novembro.
O analista acrescentou que o Brasil já exportou mais de 200 mil toneladas de carne bovina aos Estados Unidos em 2026, apesar da incidência de uma tarifa de 26% sobre parte das vendas. A retirada da sobretaxa para o novo volume deve elevar a competitividade brasileira.
Outro impulso vem da expectativa de retomada das compras chinesas. Fabbri estima que a movimentação mais intensa ocorrerá na segunda quinzena de setembro, considerando o tempo necessário para que a carne seja processada, embarcada e chegue ao mercado chinês. “A China começa a fazer as aquisições e a indústria começa também a fazer a compra de gado gordo para colocar na programação para levar para a China. Para exportar essa carne, vai uns 90 dias para chegar até o mercado chinês”, explicou.
Em contrapartida, há preocupação com a possível suspensão dos embarques de carne bovina para a União Europeia a partir de 3 de setembro, devido a regras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos. Até 31 de agosto, não havia posicionamento positivo que afastasse a suspensão, conforme relatado por Fabbri.
Apesar da incerteza na relação comercial com a UE, o analista acredita que a demanda dos Estados Unidos e da China pode compensar parte desse impacto e contribuir para a sustentação da cotação da arroba.
No âmbito regional, Mato Grosso do Sul passou a apresentar o maior valor negociado pela arroba do boi gordo no Brasil, após a ligeira queda registrada na praça de São Paulo na última semana. “A gente espera um setembro onde esse viés de baixa que tem ocorrido agora ao longo dessa segunda quinzena de agosto perca a força e a gente volte a ver uma cotação um pouco mais sustentada”, concluiu Fabbri.








