Três Lagoas, a 338 quilômetros de Campo Grande, registrou um fim de semana marcado por episódios sucessivos de violência com armas de fogo. Entre a noite de sexta-feira (1º) e o fim da noite de sábado (2), quatro ocorrências distintas resultaram em um homicídio consumado e pelo menos quatro pessoas feridas, além da apreensão de uma pistola de uso restrito. A Polícia Civil apura se há relação entre os casos.
Execução em frente a residência na Vila Nova
O caso mais grave ocorreu por volta das 22h de sábado, na Rua Michel Thomé, bairro Vila Nova. Pedro Augusto Otaviano dos Santos, de 30 anos, conhecido como Cabelinho, conversava com duas pessoas em frente a uma casa quando um atirador chegou e atirou diversas vezes. Os disparos acertaram cabeça, rosto e tórax da vítima, que morreu antes da chegada do socorro.
Um segundo homem, que também estava no local, foi atingido na perna. Ele recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica isolaram a área, realizaram perícia e, em seguida, removeram o corpo para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL).
Ocorrências acumuladas desde a noite de sexta-feira
Antes da execução na Vila Nova, a cidade já contabilizava três tentativas de homicídio e uma apreensão de arma em um intervalo inferior a 24 horas.
No bairro Interlagos, pouco depois das 23h de sexta-feira, um homem foi baleado dentro de um bar. Segundo informações colhidas pela polícia, o autor entrou no estabelecimento, chamou a vítima pelo nome e efetuou cerca de três tiros. Os projéteis atingiram face e ombro do alvo, que foi socorrido em estado grave e permanece internado.
Na mesma região, horas depois, outro jovem foi ferido ao levar dois disparos no abdômen. Ele havia saído para adquirir entorpecentes quando foi surpreendido. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime tenha relação com o tráfico de drogas, mas ainda apura os detalhes.
Em ocorrência separada, um homem foi preso em um posto de combustíveis, também em Interlagos, após ameaçar e agredir uma mulher. Durante a abordagem, policiais apreenderam uma pistola calibre 9 mm carregada com munições. O suspeito não possuía documentação para o armamento, configurando porte ilegal.
O quarto registro de violência se deu contra um jovem de 21 anos, atingido por três tiros disparados por ocupantes de um veículo em movimento. Ele foi levado ao hospital e segue em observação.
Saldo parcial e investigação
Com a morte de Pedro Augusto e os demais feridos, o balanço das últimas 24 horas em Três Lagoas é de um óbito confirmado e quatro pessoas hospitalizadas por ferimentos causados por arma de fogo. Apesar da proximidade temporal e geográfica das ocorrências, a Polícia Civil ainda não estabeleceu ligação direta entre os casos.
As investigações incluem coleta de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e análise balística. A corporação também avalia se o armamento apreendido no posto de combustíveis pode ter relação com algum dos ataques.
Ações das forças de segurança
Desde a noite de sexta-feira, a Polícia Militar reforçou o patrulhamento em bairros considerados críticos e intensificou abordagens para combater o porte ilegal de armas. A Polícia Científica realizou perícias em todas as cenas e enviou projéteis recolhidos para exames que podem auxiliar na identificação de possíveis conexões.
O Corpo de Bombeiros e equipes do Samu atuaram em todos os atendimentos, transportando vítimas para hospitais e realizando procedimentos de estabilização no local dos crimes.
Próximos passos
A Polícia Civil aguarda laudos do IMOL sobre a execução na Vila Nova e relatórios balísticos para avançar na linha investigativa. Testemunhas ainda estão sendo ouvidas. Até o momento, nenhum suspeito foi preso pelo homicídio de Pedro Augusto.
Enquanto avançam as apurações, o quadro de violência das últimas 24 horas reforça a preocupação de autoridades e moradores de Três Lagoas com a circulação de armas de fogo e a escalada de atentados na região.








